HC de Botucatu realiza implante de coração artificial inédito

Pela primeira vez no Brasil, um coração artificial foi utilizado para recuperar um coração com infecção com sucesso.

O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB) realizou um procedimento inédito para recuperar o coração de um paciente de 23 anos. Os exames mostravam seu coração fraco e maior do que o normal, devido a uma infecção nas válvulas cardíacas, mais conhecida como endocardite.

Ao ser admitido na instituição, o paciente passou por uma primeira cirurgia de emergência. Segundo o chefe de Cirurgia Cardíaca do HCFMB Dr. Marcello Laneza Felicio, o caso do paciente era muito grave e, durante sua internação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), a equipe de cirurgia cardíaca do HCFMB notou que o coração do paciente continuava muito fraco. “O órgão não conseguia manter a circulação sanguínea de forma efetiva, comprometendo outros órgãos vitais”, diz.

Devido às condições do paciente, a equipe optou pelo implante de um coração artificial.  Felicio explica que este modelo de dispositivo pode ser usado como “ponte para transplante” em pacientes com insuficiência cardíaca terminal, enquanto aguardam um órgão para transplante ou como “ponte para recuperação”. “O aparelho foi conectado ao ventrículo esquerdo e à aorta, desempenhando a função do coração, bombeando sangue para todo corpo, e auxiliando temporariamente enquanto o coração doente se recuperava”, afirma.

Pela primeira vez no Brasil, um coração artificial foi utilizado para recuperar um coração com infecção com sucesso. Não há relatos de nenhum tipo de assistência circulatória mecânica como “ponte para recuperação” em adultos recém-operados por endocardite, já que a infecção pode se instalar no dispositivo, piorando o estado de saúde do paciente. No entanto, todos os cuidados para que a infecção não avançasse foram tomados no procedimento realizado no HCFMB.

Após dez dias o coração do paciente conseguiu se recuperar, e o aparelho pôde ser removido. O jovem teve alta da UTI e na última semana, voltou pra casa.

Joelma Américo Ferraz, 42, diz que teve medo no início, por saber que o caso do filho era gravíssimo. “Não tínhamos outra chance, esse procedimento era uma tentativa única. Acreditei muito na equipe, e sabia que meu filho estava nas mãos dos melhores médicos, e que estavam fazendo tudo o que podiam por ele. Meu sentimento hoje é de gratidão e alegria por poder levar meu filho vivo para casa”, diz.

Atualmente, o número de implantes de dispositivos de assistência circulatória no Brasil ainda é deficiente. O fator limitante para o uso dessa tecnologia é o alto custo, e os tipos de coração artificiais mais utilizados para implantes não são custeados nem pelo SUS, nem pela grande maioria dos convênios particulares.

Segundo Dr. Marcello, são poucos os casos onde o coração do paciente se recupera após este tipo de tratamento. “O sucesso desse tratamento cria as melhores perspectivas para que mais pessoas possam se beneficiar desta cirurgia. Estamos muito felizes pelo paciente e sua família, e orgulhosos pelo resultado alcançado em nosso Hospital”, finaliza.

 

(com Vivian Abilio)