Governo reduziu preço dos combustíveis, mas distribuidoras aumentaram

Duas reduções de preços foram anunciadas pelo governo, mas na prática o reajuste não chegou ao consumidor final

As duas reduções anunciadas pelo governo no preço da gasolina não são sentidas no bolsoSidney Trovão
As duas reduções anunciadas pelo governo no preço da gasolina não são sentidas no bolso

O governo federal anunciou duas reduções de preço nos combustíveis nas refinarias. A primeira anunciada em 14 de outubro, reduzia em 2,7% o preço do diesel e 3,2% o preço da gasolina. A segunda redução anunciada no dia 8 de novembro previa redução de 10,4% no preço do diesel e 3,1% na gasolina.

Mas, o fato é que mesmo com essas reduções o consumidor ainda não sentiu no bolso a diferença. Marco Antonio Garcia, proprietário de um posto de combustível em Botucatu, afirma que a redução não chegou aos consumidores, nem aos donos de postos.

“Tenho aqui os valores que pago a distribuidora pelo combustível, quando foi anunciada a primeira redução paguei R$ 0,02 mais barato pela gasolina, isso no dia 15 de outubro, menos de uma semana depois a distribuidora subiu R$ 0,04 no preço do litro, ou seja, a redução que tinha acontecido anteriormente não durou nem uma semana, pelo contrário, eles aumentaram o preço”, afirma.

Marco Antonio tem todos os valores, praticamente que diários, anotados. Ele afirma que o etanol vem sofrendo reajustes todos os dias agora nesse período de entressafra. “No dia 27/09 a gasolina eu paguei R$ 3,12, no dia 7/10 a gasolina estava R$ 3,14, no dia 15/10 ela baixou para R$ 3,12 novamente. No dia 16 eu baixei o preço na bomba de R$ 3,69 para R$ 3,67, porém no dia 17/10 a gasolina subiu para R$ 3,16, ou seja subiu R$0,04. Isso na verdade é assim, o governo anuncia que baixou, a distribuidora até baixa o preço, mas um dia, dois no máximo, e depois aumenta o dobro do valor que ela tinha reduzido”, explica.

Por conta da gasolina possuir em sua composição cerca de 27% de etanol, o preço também varia, assim como o do etanol. Segundo Marco Antonio, nos últimos 40 dias houve um aumento médio de R$ 0,06 que foi absolvido pela empresa e não repassado ao consumidor.

Marco Antonio afirma que acompanha os preços dos combustíveis diariamente e a redução não aconteceuSidney Trovão
Marco Antonio afirma que acompanha os preços dos combustíveis diariamente e a redução não aconteceu

“Eu não tive um centavo de redução, a distribuidora é quem está ganhando com isso. Na revista Veja da semana passada saiu uma página da refinaria de Manguinhos no Rio de Janeiro contra o SindCom, que é o sindicato das petroleiras, que hoje é formado pela BR, Ipiranga e Shell. Nesse comunicado eles falam exatamente desse cartel que existe através do SindCom, pois eles estão mandando no preço, eles fazem o que eles querem. O governo anunciou realmente a redução, mas eles não repassam, eles ficam com o lucro. Eu tenho mandado e-mail para a distribuidora todos os dias para que baixem o preço, mas acho difícil eles atenderem, e aí a cobrança vem em cima dos postos de combustíveis por parte dos nossos clientes”, salienta Marco Antonio.