Condephaat verifica abertura de rua no envoltório de área tombada

rua-aberto-ao-lado-da-capela-do-seminario-1Sidney Trovão

A Prefeitura de Botucatu está fazendo uma nova rua no centro da cidade, entre a Rua Dr. Costa Leite, ao lado do antigo Seminário Arquidiocesano e atual secretaria municipal da Educação e a Rua Dr. Damião Pinheiro Machado. Mas o Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico) está analisando a regularidade da obra, uma vez que as escolas Cardosinho e EECA são tombadas e existe uma área no entorno que faz parte do envoltório de preservação.

“A Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico (UPPH), braço técnico e executivo do Condephaat, está apurando o caso da abertura de rua na área envoltória do Instituto de Educação Cardoso de Almeida, localizado na cidade de Botucatu, interior de São Paulo, para verificar a regularidade da intervenção”, explica o órgão através de nota à imprensa.

Mas de acordo com o arquiteto botucatuense João Piza, radicado em São Paulo, a rua está em espaço considerado envoltório de área tombada e é necessária autorização para sofrer intervenção. Ele explica que “tombados são o Cardoso e EECA. A área envoltória, descrita na lei de tombamento, é um prolongamento imaginário da Rua Domingos Soares de Barros”.

“Então o Seminário está dentro da área envoltória, o que significa que deve submeter todo projeto de reforma ou nova edificação ao Condephaat, se houver uma alteração na sua função de ‘pano de fundo’ do Cardosinho e da EECA”, diz Piza.

De acordo com o arquiteto “a abertura de uma rua não interfere na leitura das edificações tombadas”, mas “seria sábio submeter o projeto ao Condephaat para evitar polêmicas, mas não seria uma obrigação legal. Essa é a área envoltória”.

isadora-arquiteta-3Sidney Trovão

A arquiteta Isadora Marchi sugere que essas intervenções sejam discutidas publicamente. Ela também fala da importância da criação do Conselho de Patrimônio. “Sou a favor de que sobre os espaços que tem uma relação muito forte, simbólica com as pessoas, tivesse uma discussão maior sobre o que tem que ser, como pode ser, o que pode melhorar, então, entendo que tem questão técnica aqui que estão tentando resolver que é o fluxo de carros, mas é claro que pode afetar para melhor ou pior um patrimônio, apesar de não ser tombado, mas em termos de ser agradável, de história para nós, de valor, como chamamos”.

A Prefeitura de Botucatu foi procurada, mas não se manifestou sobre o assunto.

Polêmica ganhou espaço em rede social

O caso da abertura gerou discussões na internet, inclusive com pessoas questionando se o trânsito no local poderá ou não provocar danos a uma construção antiga como o seminário. A arquiteta Isadora Marchi entende que seria necessário fazer estudos a respeito para avaliar o impacto.

Por sua vez, João Piza teme danos apenas no caso de veículos pesados trafegarem pelo local. “Sobre o trânsito abalar as fundações do Seminário, realmente o trânsito de veículos pesados causa problemas. Mas a proibição de tráfego de caminhões e ônibus na nova rua, com um desenho da mesma que iniba isso, pode resolver”.