Ao contrário do esperado, janeiro teve chuva acima de média e excesso de umidade está interferindo na agricultura

Hortaliças já estão mais caras nos mercados e, se continuar assim, outras culturas devem sofrer com acúmulo de chuva

Alface encareceu por causa da chuvaSidney Trovão
Alface encareceu por causa da chuva

Você já deve ter notado que as hortaliças, como as alfaces, tiveram um aumento de preço significativo nos últimos dias. Um pé de alface que antes custava em torno de R$ 2, hoje chega a R$ 4. Isso que as folhas estão feias e o pé, pequeno.

Tudo isso é reflexo direto das chuvas de janeiro que ficaram acima da média esperada para o mês, que é de 262 milímetros. Neste ano, já choveu 336 milímetros, segundo dados do Departamento de Solos da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp. O maior volume foi registrado no dia 19, quando choveu 46 milímetros.

Chover em janeiro é normal e ajuda a repor represas e rios que fazem o abastecimento hídrico e elétrico da população, mas quando ela vem além do esperado, influencia negativamente na agricultura.

“As hortaliças são as que mais sentem o impacto do excesso de chuva. É difícil de produzir com muita umidade. Os pés ficam pequenos e feios e o produtos precisa pegar entre 3 e 4 pés na verdade para compor o tamanho de um que possa ser vendido”, explica o engenheiro agrônomo da Casa da Agricultura de Botucatu, Marcelo Leonardo.

Segundo Marcelo, se colheita do milho for afetada, teremos impacto em outros alimentosSidney Trovão
Segundo Marcelo, se colheita do milho for afetada, teremos impacto em outros alimentos

Mas não são só as verduras que são afetadas, as frutas e grãos também. Ainda de acordo com Marcelo, as frutas sofrem as influências de doenças fúngicas, e na cultura de grão, o produtor não consegue trabalhar porque o solo fica encharcado. “O trator não conseguir ir na plantação porque a roda derrapa. Desse jeito, o produtor acaba perdendo a cultura por não conseguir colher. Ou seja, quando chove demais, todo o planejamento produtivo é perdido”, salienta.

Por enquanto, o principal impacto para o consumidor final é no preço das hortaliças, mas se a chuva continuar, em breve vai interferir no preço de todos os alimentos. “A chuva interfere em toda a cadeia produtiva. Por exemplo, agora estamos na época de colher a rocinha do milho. Esse milho serve para fazer a ração que alimenta frangos e porcos. Se falta milho, o preço da ração sobe e consequentemente, sobe o preço da carne de frango e de porco. Uma coisa leva a outra”, destaca Marcelo.

 

Chuva deve continuar

Vai chover bastante nos primeiros 15 dias de fevereiroSidney Trovão
Vai chover bastante nos primeiros 15 dias de fevereiro

Segundo dados da FCA, os meses de janeiro, fevereiro e março são os mais chuvosos em Botucatu, com média de 652,6 mm que corresponde a 43,5% do regime de chuva total do ano.

Neste ano, só com as chuvas de janeiro, Botucatu já registrou mais da metade da chuva esperada nestes três meses e se depender da chuva que estar por vir, este ano será bem mais úmido. Isso porque, segundo dados da Defesa Civil Estadual, nos primeiros quinze dias de fevereiro deve chover pouco mais de 100 milímetros.

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