Dengue terá vacina a partir de 2019

Enquanto vacinação não sai, prevenção deve continuar intensa

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Os últimos testes com a vacina contra a dengue já estão sendo feitos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária e, se ficar comprovada a eficácia do medicamento, a partir de 2019 o Instituto Butantã deverá iniciar a produção em larga escala.

Vacina contra a dengue está em fase final de testesAgência Brasil
Vacina contra a dengue está em fase final de testes

A vacina vem sendo desenvolvida há anos e a dificuldade dos pesquisadores era encontrar um medicamento que fosse eficaz contra os quatro tipos de dengue. Sua eficácia será de 80%, índice considerado alto pelas autoridades em saúde.

Para disponibilizar as vacinas, o Estado de São Paulo irá construir uma fábrica que terá capacidade de produzir 30 milhões de doses por ano.

Apesar da possibilidade de haver um método de imunização contra a dengue, os cuidados e o combate ao mosquito Aedes aegypti devem continuar iguais. “Temos que ter muito cuidado quando pensamos nesta vacina. Não devemos esquecer que o Aedes é o transmissor de outras doenças, como o vírus zika, a febre chikungunya e até a febre amarela, que teve uma vítima fatal nesta semana. E por isso, o combate ao mosquito deve continuar o mesmo, tendo vacina ou não”, explica Rodrigo Iais, diretor do Departamento de Planejamento em Serviços de Saúde.

Ainda de acordo com Rodrigo, o controle biológico deverá sempre ser prioridade. Eliminar os criadouros dentro de casa é a principal medida para extinguir o mosquito e, consequentemente, todas as doenças por ele transmitidas. “É mais fácil agir preventivamente, quando o mosquito ainda é uma larva, do que quando ele chega a fase adulta. Quando já é um mosquito, somente o uso de inseticidas vai eliminá-los, e se usarmos de forma indiscriminada, logo o Aedes ficará resistente aos produtos químicos”, salienta.

Infestação de mosquito e casos de dengue são baixos em Botucatu

Duas em cada mil casas tem larvas do mosquito da dengueReprodução
Duas em cada mil casas tem larvas do mosquito da dengue

O ano passado teve redução drástica no número de casos de dengue no município. Foram 106 contra 730 em 2015. “A epidemia de 2015 deixou as pessoas assustadas e elas começaram a cuidar melhor dos quintais, prevenindo novos criadouros. Isso é bom, mas deveria ser feito sempre, mesmo que o número de casos seja baixo”, afirma Rodrigo.

Também é baixa a quantidade de mosquitos em Botucatu. Segundo levantamento feito pela Secretaria da Saúde em quatro épocas do ano diferentes, o índice de infestação é de 0,2%, ou seja, de cada mil casas, apenas duas tem larvas do Aedes aegypti. “Isso significa que estamos com níveis satisfatórios. Mas não podemos descuidar. Uma pessoa que vá viajar e chegue a cidade infectada já pode transmitir a doença e podemos ter uma epidemia”, diz Rodrigo.

Os agentes da Vigilância Epidemiológica estão fazendo visitas às residências de Botucatu de segunda à sábado, com a intenção de manter o número de casos baixo.