A luta de 12 anos de uma professora

Redação Diário | Diário Botucatu

Em 2005, ainda no governo Mário Ielo (PT), a prefeitura de Botucatu resolveu construir uma pequena praça na Vila Maria, no trecho que faz divisa com o Jardim Cristina. No meio do caminho havia uma casa. Ela que precisou ser demolida, para a abertura de uma rua, ligando os dois bairros.

Ao demolir o imóvel, a prefeitura acabou afetando a estrutura da casa vizinha, onde mora a professora Marina Rodrigues, de 64 anos. Sua casa hoje está com trincas enormes em todos os cômodos. Em diversos lugares a casa já cedeu, por conta das infiltrações que ocorrem nas trincas espalhadas pelo imóvel.

A casa vizinha, que foi demolida para a abertura da nova via de ligação entre os dois bairros, estava no meio do caminho onde passaria a nova rua. A prefeitura indenizou seus antigos donos e demoliu a casa. Depois, foi preciso derrubar o muro que dividia os dois imóveis e retirar vários caminhões de terra do terreno.

Toda essa movimentação de terra e entulho acabou causando abalos na parte estrutural da casa da professora Marina. Hoje a casa está praticamente partida ao meio, apesar de todos os remendos nas trincas e as amarrações improvisadas que a dona Marina fez do jeito que suas condições permitiram, para tentar preservar o imóvel comprometido por uma ação do poder público municipal.

Um dia disseram para a dona Marina que a Lei é morosa. Que mesmo se ela ganhasse na Justiça, demoraria muitos anos para receber, quando o dinheiro saísse possivelmente ela nem estaria mais viva. Ela também já chamou um engenheiro para verificar o problema. Foi orientada de que a única solução seria derrubar a casa e construir outra no lugar.

Em 2012, procurou o professor Benedito Gamito, que na época era o vereador do bairro, que a orientou a enviar um ofício ao prefeito João Cury Neto. O mandato de João Cury terminou em 2016. E não aconteceu nada. Mário Pardini (PSDB) assumiu a prefeitura há 7 meses. E ainda não aconteceu nada que possa dar uma esperança para quem mora embaixo de uma casa que está caindo, com rachaduras em todos os cômodos.

Parece que “todo mundo” só enrola a professora que vive sozinha na casa em que nasceu. É um exemplo clássico da forma com que o poder público trata o cidadão brasileiro comum, aquele que entra na fila das repartições públicas, como se fosse gado, em busca de alguém que esteja atrás do balcão e possa pelo menos compreendê-lo.

A professora Marina só precisa de alguém que possa confirmar que ela realmente tem razão em sua reclamação e, também tem, o direito e o dever de buscar que seus interesses sejam respeitados na comunidade em que vive.

A dona Marina Rodrigues só precisa de um servidor público municipal disposto a abraçar sua causa e fazer com que ela caminhe pela burocracia com a rapidez necessária. Mas a resposta que ouve é que precisa arrumar um advogado, entrar na justiça e esperar 20 anos para ser indenizada e resolver. Impressionante.

Dona Marina não quis aparecer nas imagens. Mas revelou que nos últimos doze anos ela vem lutando praticamente sozinha para resolver o problema. “Se eu tivesse dinheiro, eu mesmo consertaria.”, afirma a professora.

A casa é uma memória de família. É a casa em que ela nasceu. Foi construída pelos avós quando os seus pais se casaram. E o poder público municipal não resolve o problema. Só enrola. Só empurra com a barriga.

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  • Abelardo Da Costa Neto

    Soube agora do caso e já estou entrando com requerimento pela Câmara Municipal pedindo resposta pelo atual governo, mesmo não sendo o causador do problema, Vou estar fiscalizando que essa senhora tenha seu imóvel arrumado.