Quanta surpresa!

coluna mestra

Redação Diário | Diário Botucatu
Humberto Migiolaro –
Colaborador DB  –       

  O Brasil, como toda boa república de menor desenvolvimento sempre proporciona surpresas a seus patriotas. São segredos de Polichinelo, aqueles que todos sabem, conhecem e são anunciados com grande antecedência. Essas manobras “imprevistas” muito se assemelham àquelas “pegadinhas” que as emissoras de TV se cansam de apresentar, contratando e pagando figurantes que, treinadinhos de última hora, apresentam as reações mais esperadas de surpresa e deslumbramento. Em países mais desenvolvidos essas surpresas são mais raras, o equilíbrio e a responsabilidade dos dirigentes políticos previnem tais atos e costumam programar as ações com os devidos cuidados.

José Sarney era o grande líder da Arena, partido que dava sustentação ao regime militar. Dominava com precedência a política de bastidores do Norte e Nordeste. Sarney contava como certa sua eleição no Colégio Eleitoral para suceder Figueiredo que devolveria de mão beijada o poder à sociedade civil. Havia uma pedra no meio do caminho, diria Drummond. A pedra tinha nome e sobrenome: Paulo Salim Maluf. Este, hábil negociador, fora nomeado governador de São Paulo e de repente se tornou favorito na convenção da Arena. Sarney não se fez de rogado: De líder do governo transferiu-se para o MDB, partido da oposição para evitar a prevista derrota diante de Maluf. Conchavos daqui e dali, e surge a chapa Tancredo-Sarney, que conseguiu vencer a eleição presidencial no Colégio Eleitoral. Ganhou mas não levou. De repente, não mais que de repente, diria agora Vinícius, a pedra do meio do caminho de Drumond foi chutada pelo vice Sarney, com o “mal súbito” de Tancredo às vésperas de sua posse. Seqüência de cirurgias precedeu a morte do presidente eleito, caindo, sem querer querendo, o poder no colo de José Sarney. Que surpresa!

Janio Quadros renunciou alegando culpas a “forças ocultas”. João Goulart toma posse, fica um período em regime de parlamentarismo, quando assume de fato o poder, a baderna geral dos esquerdistas, insuflados pela União Soviética e seus comparsas quinhoeiros cubanos, provoca reação do poder militar, que destitui o Presidente da República. “Laço firme e braço forte”, o Marechal Humberto de Alencar Castello Branco afasta os comunistas e deporta grande parte de desafetos e artistas, adolescentes rebeldes. O Brasil assume o eixo do desenvolvimento, a ordem e o progresso, dístico de nossa bandeira, passa a valer realidade. Reações pipocadas aqui e ali, guerrilhas de quintais, seqüestros, assaltos a bancos prisões de inimigos do governo, regime forte, acusações de sumiços e torturas, O Brasil se organiza, cresce e aparece. O Congresso é reaberto e o MDB na “oposição de mentirinha” serve ao governo exibindo ao mundo ordem democrática no país. Nascia assim a vocação do PMDB que nunca se elegeu, mas nunca esteve fora do poder. Que surpresa!

Fernando Collor se elegeu com estreita margem de votos, editando “O Caçador de Marajás”. Logo de saída, por medida provisória, instituiu um traumático “Pacote Econômico” que incluía bloqueio de todo o dinheiro depositado em bancos e aplicações financeiras. Passou ao largo do Congresso Nacional que se curvou à pretensa autoridade das urnas. Outras medidas foram tomadas no mesmo tom, os deputados se cansaram de aguardar a chamada para compor o governo de “amigos de Collor”. O PT de Lula havia sido derrotado. Que fazer? A saída estava logo ali diante do nariz: O Presidente morava na Casa da Dinda, residência oficial do governo. Seu imediato, PC Farias era o homem forte da grana e da corrupção. Dinheiro do esquema de PC financiou reformas na Casa da Dinda, seria óbvio, mas o mantra “Fora Collor” do PT, da OAB, da UNE e congêneres soou mais alto. Um irmão traído, com tumor cerebral, que em breve o levaria à morte, era tudo o que o PT e o PMDB precisavam para derrubar o presidente. PC Farias seria assim como um Paulo Roberto Costa do Lula, mas sem o PT na retaguarda. Collor caiu. Que surpresa!

O PT assombrado pelo mensalão necessitava da sustentação de um partido grandão e momentaneamente sem poder. Temer, o articulador, promovia nos mandatos de Lula o meio de campo no Congresso intermediando votos no plenário em troca de emendas parlamentares que beneficiavam os currais eleitorais de deputados e senadores. Não fosse essa articulação o mensalão faria mais vítimas no poder e a favorita do harém petista certamente nem ao primeiro mandato chegaria. A coisa sempre fora direta, indisfarçável toma-lá-dá-cá de Lula, Dilma, Temer e o Congresso Nacional. A corrupção adoidou, quebrou estatais e junto delas toda a economia brasileira, no afago aos deputados e às republiquetas bolivarianas. Lula gravou um “apaixonante” vídeo de enaltecimento do grande líder Nicolas Maduro, certamente o guru de sua corriola. O Brasil parou. Que Surpresa!

Dilma era figura “antalógica”, incapaz de pentear o cabelo ser errar a risca. No Congresso, o mesmo meio-campista costurou as fraldas usadas no apoio da incompetente. Veio o segundo mandato, margem estreita, burla fiscal, burrice disparada, o país despencando pelas tabelas. Dilma caiu. Que surpresa!

PT na oposição, sua vocação primeira. Arranja-se um escroque, faz-se uma gravação, seduz-se o MP e está montado o esquema do “Volta Lula”. Depressinha Temer reage no velho estilo cristalizado e embalado pelo PT. Emendas em benefícios dos currais eleitorais de deputados, troca simples e direta por votos de blindagem. Temer matou no peito:

QUANTA SURPRESA!

 

Humberto Migiolaro é Médico e Escritor , Membro efetivo da Acâdemia de Letras (ABL) e colaborador do Diário.
Havia uma pedra no meio do caminho, diria Drummond. A pedra tinha nome e sobrenome: Paulo Salim Maluf

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