A COMUNICAÇÃO

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“Quem não se comunica, se estrumbica”, dizia o Chacrinha. A comunicação é imprescindível para o ser humano viver em sociedade, já que é por natureza um ser gregário. Comunicamo-nos por mil modos. Temos a sinalização de navios em alto-mar, os sinais da linguagem de ”libras” para surdos-mudos, braile para os cegos, mímicas infantis e de adultos quase isso, sinais eletrônicos emitidos ao espaço pelos radiotelescópios na esperança de contactar seres inteligentes, para extrapolar assim de cara as maneiras de se comunicar. Mas em tudo existe uma linguagem, em função da comunicação sonora que herdamos dos bichos. Assim, temos os sons vocálicos (do latim vox, que significa voz) e os sons consonantais (do latim cum + sonare, soar com) que são a estrutura básica das línguas humanas. Deduzimos que nossos ancestrais cavernosos emitiam sons guturais (do latim gutur, garganta) com maior ou menor intensidade.

 

Talvez já venha daí o antiqüíssimo machismo, pois quando um “senhor” da caverna X queria impor a ordem no “lar”, guturava com maior ou menor intensidade para a cara-metade, que sabia do humor do marido pelos seus berros, berrinhos ou berrões: gurvthxnovyrrrrr!!!!!!!!!! (Tradução: esta perna de arqueoptérix está mal cozida!) – ou então: tragggustvbertsss! (Tradução: trate de lavar melhor esta pele de mamute, que vou usar na reunião da tribo amanhã.). Bom: a sonoridade com que nos entendemos, que deu origem às milhares de línguas do planeta, basicamente é a passagem do ar dos pulmões pela traquéia, literalmente se esbarrando nos obstáculos naturais do aparelho fonético, produzindo sons que se combinam com as vogais A E I O U (no português), e por isso formam as “com-soantes”. Temos então os sons guturais (re, gue, que), os molhados ou palatais (le, lhe, nhe), os dentais (te, de), os labiais (ve, pe, fe, be, me), os nazais (ne) e as variantes entre eles. Os milhares de formas, métodos e mecanismos de comunicação vão desde o choro inicial do bebê recém-nascido, do primeiro hieróglifo egípcio ou do ideograma chinês, até os alfabetos.

 

Do primeiro jornal feito de argila dos babilônios, de cera dos romanos, do rádio, da fonografia, da televisão, do celular, da internet, até as telepatias do futuro, com chip ou sem chip. O certo é que não podemos deixar de nos comunicar. O grande terror lá do íntimo de cada um de nós não é tanto o medo do desconhecido ou da niilificação da morte, quanto o da cósmica solidão de nossa tão misteriosa individualidade. Nascemos sozinhos em nosso Eu e assim morremos, pavorosamente sozinhos. Por isso, precisamos estar juntos de alguém, conversar, trocar idéias, chorar juntos, rir juntos, e até xingar uns aos outros de vez em quando, para lembrarmos que o outro, talvez embora um inimigo, é igualzinho a nós e também necessita de um “outro”, para fugir da solidão. Isto me faz lembrar do interessante filme “Inimigo Meu”, vale a pena reassistir.

 

Caro leitor ou leitora: falar é uma arte. O modo de falar também. O linguajar caipira é até gracioso, com os vários vocábulos característicos. Falar como minero é bão, uai! Como portuga, estou a fazeire bom gosto desta prosa! Como carioca, porrquê não echtudamoch maich a nossa língua? Ora, meu, mór barato, cara! Ô xente, tu ta me convenceno! Tudo não passa de sotaques regionalistas com alguma influência de outras línguas, com ou sem neologismos, e até mesmo a linguagem internáutica.

 

No fundo é tudo português, elemento de união nacional. O Brasil é um dos únicos paises monolinguistas do mundo. Mas, não nos esqueçamos que não estamos sós nesta imensa aldeia global. Aprenda uma nova língua, você vai se surpreender de ver como, através dela, descobrimos que somos todos muito parecidos! Aliás, começa no primeiro sábado de janeiro novo módulo dos cursos gratuitos de latim e francês no Centro Cultural. Aproveite e se inscreva.

Arquivo Diário
José Sebastião Pires
Mendes

José Sebastião Pires Mendes

(Membro da ABL e do CCB – autor de Fogo, Incenso e Catadupa)

Contacto: tiao-mendes@hotmail.com