Homo sapiens!

Diferentemente dos textos anteriores, hoje vamos inovar, vamos refletir sobre um dos seres que habita o meio ambiente natural e urbano, o ser humano.

Redação Diário | Diário Botucatu

Quem é este “ser” cuja sobrevivência depende estritamente de um meio ambiente ecologicamente equilibrado? Suas ações consideram a conservação dos finitos recursos naturais? Os seres inteligentes (Homo sapiens) responsáveis pela elaboração e execução dos planos de governos e das inúmeras políticas públicas (que organiza e ou desorganiza a  sociedade)  fazem a correlação do uso responsável e sustentável do meio ambiente natural e urbano? E os seres da iniciativa privada consideram a responsabilidade socioambiental em seus negócios? E o “ser/cidadão comum” entende e reconhece suas responsabilidades com o meio ambiente?

A resposta para essas perguntas será: “o meio ambiente foi/é desvinculado de toda e qualquer ação do ser humano, mesmo sabendo que, a sua existência depende exclusivamente dos finitos recursos naturais, água, terra, ar”. E aí, nos resta buscar o entendimento dos porquês das irresponsabilidades ecológicas! (sem pré-julgamentos, sem paixões partidárias e sem rotulagens daqueles outros seres que lutam pela conservação ambiental. Uma luta valiosa, felizmente, uma luta que visa o bem da coletividade).

Uma das causas das irresponsabilidades ecológicas está interligada ao modelo educacional. Os conteúdos ecológicos e de sustentabilidade quando abordados em sala de aula são de forma superficial e individualizada dos outros conteúdos, apesar de que, a orientação é para que essas temáticas sejam desenvolvidas de forma transversal e interdisciplinar. E além de desconsiderar as importâncias ecológicas e as problemáticas socioambientais locais, onde a comunidade escolar está inserida, o modelo educacional vigente não visa a formação integral (técnica, crítica, colaborativa) mas, sim, quando a técnica existe, é de forma passiva, onde o aluno torna-se exclusivamente um “processador de dados”.

É fato mais que comprovado, que não vamos conseguir transformar a realidade, com esse modelo educacional (tanto na escola pública, como na privada). É inadmissível a conclusão do Ensino Médio sem dialogar em sala de aula os assuntos sobre meio ambiente, sustentabilidade, políticas públicas, economia, inclusão e diversidade. Aliás, grande parte dos egressos do Ensino Médio nem sabem da existência da Constituição Federal, muito menos sua importância. Há quem defenda que os ensinamentos escolares são exclusivamente para as disciplinas clássicas.

E aí, como se não bastasse, tanto no Ensino Superior (seja graduação ou pós-graduação) e no Ensino Profissionalizante são raros os planos de curso que abordam assertivamente os assuntos que englobam meio ambiente, sustentabilidade e políticas públicas. Sendo assim, como vamos ter seres sábios cujas suas ações e projetos levarão em consideração as questões de responsabilidade socioambientais? Se durante toda sua formação escolar, independente de qual seja o nível, ele não aprendeu, foi algo insignificante?

Se os valores socioambientais, a importância da Constituição Federal e das políticas públicas, temáticas sobre a diversidade e a inclusão não forem ensinados, dialogados em sala de aula (pois a escola é o espaço democrático sem vetores de pressão mercadológicos e partidárias) cada vez mais a convivência pacífica em sociedade, o respeito e conservação do meio ambiente serão anulados e até extintos.

Você que está lendo este texto, conhece a importância ecológica de nossa cidade? Sabe quais são os problemas socioambientais urbanos? Sabe a origem desses problemas e suas consequências? Sabe de onde vem a água que sai na torneira de sua casa? Sabe para onde irá o esgoto? E as águas da enxurrada, você sabe para onde ela irá? Sabe os motivos porquê alguns locais da cidade ficam inundados quando chove? E o lixo que você coloca na sua lixeira, sabe para onde ele irá? E os córregos e as áreas verdes dentro da cidade, você sabe qual a importância deles? Você tem árvore em frente à sua casa? Você conhece a Cuesta Basáltica Botucatuense? Você sabe que uma parte significativa do território da cidade é a área de recarga do Sistema Aquífero Guarani? E que nossa cidade tem três unidades de conservação ambiental, devido à importância ecológica que território botucatuense possui?

É se você não sabe as respostas das perguntas supracitadas, espero que você as busque e as compartilhe com seus familiares e amigos, porque somente assim, transformaremos a nossa realidade. Muitas das decisões políticas e mercadológicas ignoram essas respostas, no entanto, as consequências são sentidas por todos nós. Não seja omisso e manipulado, ajude a cuidar do nosso maior patrimônio, o meio ambiente. Estude e faça uma leitura do meio ambiente urbano de sua cidade! E você chegará a conclusão que muitas das situações de conflitos não são “mimis” de ambientalistas.

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Patrícia Shimabuko