A nossa esperança de um país melhor

Essa é a homenagem do Diário Botucatu ao Dia das Crianças, geração que pode mudar o desastroso rumo do Brasil.

Por Lana Salvador

 

Ano passado, Tiago Leifert fez um discurso emocionante na final do The Voice Kids, falando sobre as crianças de hoje. No texto, ele dizia que por mais que a gente queira se distanciar de tudo que está acontecendo à nossa volta em um dos momentos mais sombrios da história do nosso país, essa geração kids é a evolução e é com essa coragem e honestidade que essas crianças vão mudar o Brasil, porque a nossa geração falhou e vamos entregar a esses jovens um mundo razoavelmente quebrado. Por fim, Tiago pediu: “Mudem o mundo! Cantem, gritem. Que a voz de vocês seja ouvida cada vez mais alto. Sejam felizes, meus Kids! Boa sorte”.

O Em Cantos desse sábado é exatamente sobre eles: as crianças de Botucatu.

Redação Diário: Rebeca Selpis
Gabriel

A LENDA MIRIM DO SKATE

Gabriel Aizza Silva, 8 anos, nasceu em Botucatu e cursa o 3º ano do Ensino Fundamental na Escola Estadual Rafael de Moura Campos. Filho de Fabio Luis Pereira da Silva, 30 anos, e de Maísa Renata de Souza Silva, 34 anos, Gabriel é filho único e começou a andar de skate aos 2 anos de idade com o incentivo dos pais, que também praticavam o esporte antigamente, e desde então nunca mais parou.

Aos 3 anos, triste por não poder participar das competições, os organizadores dos eventos começaram a ceder um minuto para Gabriel se apresentar e sempre davam a ele um troféu de participação. Aos 4 anos, o menino deslanchou e começou a ganhar prêmios na classe mirim. Aos 5 anos, Gabriel ficou um ano parado ao quebrar o braço, mas a recuperação foi inacreditável e com 6 anos voltou com tudo ao esporte. Em seu quarto, Gabriel tem em média 50 troféus e 50 medalhas e em 2016 conseguiu a quarta colocação na categoria infantil brasileira, campeonato que Gabriel não ganhou, mas que foi premiado como o destaque. Em 2018, Gabriel vai para Barcelona a pedido de seus patrocinadores participar da Video Parte, importante evento espanhol de skate.

Os pais dizem que não forçam o filho a praticar skate, apenas o incentivam para que o filho não veja o esporte como obrigação, mas sim como diversão. Aliás, durante as competições, a estratégia é montada pelo pai, que assume o papel de técnico do filho. Fabio me explica que por Gabriel ter 8 anos de idade, o correto seria ele competir na categoria infantil, que engloba crianças dos 5 aos 10 anos. Mas aos 5 anos Gabriel começou a ganhar freneticamente todas competições e, para dar oportunidade às outras crianças e também aumentar o desafio, atualmente o filho compete na categoria mirim, que engloba crianças de até 14 anos. No começo, o jovem sentiu dificuldades nessa nova modalidade, mas com o incentivo de patrocínios que o enxergam como uma futura promessa do skate, Gabriel se superou e agora já consegue se sustentar sozinho no esporte.

“O nosso objetivo chama-se Gabriel e um dia ele vai olhar para trás e pensar: os meus pais lutaram tanto por mim. Meu filho não é melhor que nenhuma outra criança, não é mais nem menos. A gente só tem uma disciplina com ele, uma meta e um objetivo. Prezamos muito a educação, o estudo e o skate”, conclui Maísa. E completa: “Eu acho que o amor hoje leva todo mundo pra frente”.

Redação Diário | Diário Botucatu
Ariane

OS TALENTOS ESCONDIDOS NA ESCOLA AMÉRICO

A Escola Estadual Américo Virginio dos Santos também tem crianças que se destacam. Escolhemos duas para contar suas histórias: Ariane Aparecida de Oliveira, estudante do 9º ano do Ensino Fundamental, e José Gabriel Silveira, estudante do 1º colegial do Ensino Médio, ambos com 16 anos nascidos em Botucatu.

Gabriel, ou Biel como é conhecido pelos amigos, é o terceiro filho de uma família de quatro irmãos. Focado no desenho de caricatura e mangá, Biel não curte divulgar seu trabalho nas redes sociais para evitar que os amigos abusem e peçam desenhos infinitos. Seu maior sonho é ser um artista ou um criador de mangá e anime internacional e ser famoso pelo seu trabalho. O jovem começou a montar seu portfólio há mais ou menos 5 anos e guarda todas as suas produções em pastas, mas começou mesmo a desenhar aos 7 anos de idade, reproduzindo desenhos animados que assistia na TV. Foi quando um amigo apresentou a ele os animes. “Eu assisto todo dia anime, pois me faz sentir bem e desenhar me distrai a cabeça e serve como uma terapia pra mim”. Sobre desenhar em preto e branco, Gabriel justifica que o mangá de gibi era preto e branco e completa: “Por isso eu não costumo muito pintar, até porque os lápis de cor que eu tenho não são muito bons e os apropriados para pintar mangá custam mais de 100. Eu tenho muita vontade de pintar, mas falta dinheiro”. Aliás, um dos grandes sonhos do adolescente é viajar para o Japão e conhecer seus ídolos criadores de mangá, principalmente Akira Toriyama, criador do Dragon Ball. O jovem também pensa em fazer cosplay, já participando dos eventos que acontecem sempre na cidade. “O que me motiva para desenhar são os animes que eles falam muito da vida: sobre lutar até o fim para conquistar as coisas que você quer e correr atrás dos seus sonhos. Aliás, o Sho´nuff me inspira por ter os amigos ao lado dele. E é isso que eu quero ter na minha vida: um destino com meus amigos e meus sonhos realizados”.

José Gabriel

Já Ariane, ou Nany, é a mais velha entre três irmãos. A jovem estudou durante sete anos na Escola Aitiara, onde teve seu primeiro contato com a arte e a música, percebendo assim suas habilidades artísticas ainda pequena. “Foi pequena que eu comecei a atuar e peguei amor pela música. Nisso eu baixei um aplicativo no celular e fui criando composições. E aí eu descobri que eu conseguia compor e cantar, além de tocar violão e piano”. Atualmente, a jovem tem um canal no Youtube, onde fala coisas que está acontecendo no momento e também algumas curiosidades sobre ela mesma. O canal se chama Mess Princess (Princesa da Bagunça, em português). Muito tímida para falar em público, a ideia surgiu como uma forma de se socializar. Inicialmente postando vídeos no Facebook, a ideia viralizou e virou um canal. “O que eu mais uso atualmente é o Youtube e o Twitter é onde eu posto tudo que eu estou sentindo no momento”. Esse projeto começou há um ano e o grande sonho de Ariane é trabalhar no cinema, seja na trilha sonora, como atriz ou como roteirista, pela sua facilidade com a escrita. A jovem também planeja escrever um livro sobre sua vida amorosa que, segundo ela mesma, a adolescência é a pior parte para as decepções amorosas. Sobre seu futuro habitat, a adolescente sonha em morar na cidade de São Paulo, enquanto Gabriel planeja ganhar o mundo.

Nani conta que escreve para ajudar as pessoas, criando textos motivacionais e frases de impacto. Já no diz respeito à atuação, o gênero drama é o que ela mais se identifica. No canto, ela é bem eclética e gosta de tudo, mas confessa que é apaixonada por música romântica. “Eu me inspiro no que está acontecendo no mundo, então minha inspiração é o sentimento do momento”. E a jovem tira inspiração nas caminhadas e nos passeios de bicicleta. Já Biel usa a atividade física caseira como estimulante: “Já que eu não tenho dinheiro pra pagar academia, eu faço em casa mesmo: pra ficar mais forte e conseguir proteger as pessoas que eu amo”.

Por fim, Gabriel conclui: “Muitas pessoas falam pra eu desistir porque o anime é coisa de criança, mas eu não dou ouvidos. Eu vou atrás do meu gosto, não do que os outros dizem”. E Ariane completa: “As pessoas acham que o teatro é uma coisa impossível de acontecer e por isso elas não dão muita bola. Mas um dia eu vou conseguir realizar todos meus sonhos”.

Redação Diário | Diário Botucatu
Texto de autoria da Ariana, em comemoração ao Dia das crianças

 

 

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