Em Cantos: O Samba dos Moreiras da Silva

Formado pelos irmãos Moreiras e Silva, conheça o grupo de samba que está encantando Botucatu

Redação Diário | Diário Botucatu

Formada por duas duplas de irmãos: André e Juan da família Moreiras, e Arnaldo e Saulo do núcleo Silva, o quarteto forma a família Moreiras da Silva, grupo musical de samba formado em Botucatu há cinco anos. Os irmãos Moreiras nasceram em Belo Horizonte, Minas Gerais, e mudaram-se para Botucatu no início de 2002, quando a mãe recebeu um convite para trabalhar na cidade com a pedagogia Waldorf. Já os irmãos Silva nasceram e cresceram em Botucatu.

A escolha do nome do grupo trata-se de uma respeitosa coincidência; não seria por conta do sambista, mas para batizar a nova família, ou a união de membros das famílias “Moreira” e “Silva”. Sobre o motivo de terem escolhido o samba entre outros estilos musicais o qual eles já tinham contato, o quarteto é claro: “Nós não escolhemos o samba. O samba escolheu a gente. Então o samba não foi pensado, aconteceu”.

A verdade é que o samba é bem recebido em qualquer lugar, o samba é um ritmo muito bem quisto nos eventos, nas festas, nos shows. Pois é uma coisa alegre, bota para cima, todo mundo se diverte. Até quem não costuma ouvir, acaba se contagiando com o ritmo. A gente gosta do que faz. Quando a gente está feliz fazendo, a magia acontece. Então a recepção acaba sendo calorosa também”, diz Arnaldo. “E a gente toca legalzinho até”, brinca Juan. “Não adianta, o samba faz uma ponte, faz a ligação entre as pessoas”, finaliza André.

Grande parte dos trabalhos da banda até hoje foi a realização de shows em eventos fechados, percorrendo diversas cidades no interior de São Paulo e Minas Gerais. Já na cidade de São Paulo, o grupo se apresentou duas vezes em bares na Vila Madalena. Para os Moreiras da Silva, a questão de ir tocar em outras cidades é para o crescimento do grupo e para as pessoas continuarem a ouvir um samba cada vez melhor.

A ideia de transformar a apresentação musical em um espetáculo cênico no show “Irmãos de Samba” foi resultado de uma parceria com a diretora Fabiana Goddoy, inovando no roteiro e consolidando uma identidade artística ao grupo. No começo, os meninos relutaram um pouco, principalmente durante o processo de criação, mas hoje sentem orgulho do projeto: “A participação da Fabiana foi fundamental, ela cuidou da direção geral do show e deu tudo certo. E o grupo cuidou dos arranjos, também com contribuição dela e da banda de apoio”.

Sobre o show mais memorável dos Moreiras da Silva, o grupo é unânime: “O show do Teatro Municipal de fevereiro foi um divisor de águas pra gente”. Essa foi a estreia do show “Irmãos do Samba” na cidade.

BOTUCATU E O SAMBA

Sobre o atual cenário artístico e cultural da cidade, os Moreiras da Silva se mostram otimistas e afirmam que Botucatu nunca esteve tão movimentada, com muita coisa boa acontecendo e uma galera se engajando e indo atrás dos editais de incentivo à cultura, como os artistas Piteco, Dael, Fernando Vasques e o próprio Café das 5, no qual alguns artistas criaram um espaço onde eles próprios podem mostrar suas composições e abrem espaço a outros que estão compondo e criando coisa nova. “É uma ferramenta local de troca, quem está interessada em mostrar seu trabalho sabe onde ir e quem está interessada em conhecer um trabalho novo sabe onde procurar”, diz André.

Sobre as dificuldades que o samba encontra em Botucatu, o grupo cita a limitação no número de lugares para tocar, explicando que não querem ser músicos de bar o resto da vida. “A música é muito viva em Botucatu. Tem uma galera que tem trampo muito bom e faz música boa aqui. Mas como você vai viver de música em Botucatu? A maioria das pessoas que toca dá um monte de aula a semana toda e faz várias coisas para poder sobreviver de arte. E para mim, o maior sonho é esse: você poder fazer o que ama e conseguir viver disso”, diz André. “E ser bem valorizado”, completa Juan. “Realmente a valorização é difícil aqui em Botucatu. Tem os eventos legais promovidos pela Secretaria de Cultura, que tentam pagar um cachê digno e também oferecem uma estrutura digna para gente tocar. Mas na maior parte do ano você tem que lidar com situações super desagradáveis”, continua André. Saulo lembra que não é só em Botucatu que a arte em geral é bem desvalorizada, em outras cidades do interior também. Outro ponto citado é sobre a profissionalização da arte: “Eu acho que músico geralmente não é empreendedor, é mais o lado artístico que pesa. Então falta alguém que faça essa ponte de profissionalizar o negócio para o artista não ficar tocando em bares onde só vão os amigos. Então como fazer isso ir além? Como fazer isso ir adiante e alcançar novos públicos, aumentar esse leque? Aí eu acho que a gente para, com um monte de talento que fica preso. Mas a internet está ajudando a divulgar os trabalhos”, reflete Arnaldo.

E onde o grupo quer chegar então? “O céu é o limite”, brinca André. O grupo pretende, através do samba, se realizar profissionalmente e conseguir trabalhar com o que eles gostam. “Viver disso é o que a gente almeja, não precisando fazer trezentas coisas ao mesmo tempo”. Eles explicam que assim conseguiriam ter mais tempo para compor, se reunir e viver o samba mais intensamente, dedicando-se de corpo e alma para a música.

ATUAIS E FUTUROS PROJETOS DA BANDA

Sobre os atuais e futuros projetos da banda, esse ano o grupo continua compondo novas músicas e também trabalhando no show cênico “Irmãos do Samba”, para levar a apresentação ao maior número de lugares possíveis e atingir o maior número de pessoas. O grupo também está trabalhando na realização de um videoclipe.

BRANCOS QUE FAZEM SAMBA

Sobre a polêmica do samba feito por brancos, André diz que o grupo é mais subestimado do que discriminado. Juan lembra que eles já foram subestimados mais de uma vez, inclusive de gente que olhou o material e falou que “branquelos não poderiam fazer um som bom”. Saulo lembra de algo positivo: “Teve uma mulher que falou “poxa, eu não dava nada para vocês”, mas depois ela se rendeu e falou que a gente estava de parabéns”. E como eles lidam com isso? “Nós fazemos samba de resposta. A gente prova nosso valor fazendo samba”. E que samba contagiante, convenhamos!

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