UMA REPÚBLICA COM MAIS BANANAS E MENOS PROPINAS…

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Talvez tenha chegado a hora da República Federativa do Brasil escolher seu quinto símbolo oficial, para se juntar ao selo, à bandeira, ao hino e ao brasão:
somos um grande cacho de bananas, só falta controlar o apetite dos macacos de colarinho branco.

Mas ela só vai começar a acontecer se mais gente tiver compromisso com isso. E pra ter compromisso é preciso saber o que é esse troço que batizaram com o nome de República Federativa do Brasil, matéria da sexta série de qualquer escola que se preze.

E quem não aprendeu na escola o que é isso, nunca vai ter a oportunidade de participar com eficiência dessa conversa. Quem não foi educado em casa e no colégio para ser republicano, não vai conseguir participar de uma conversa republicana.

Se entrar, vai ser de olho na porta dos fundos, por onde saem os que não podem ser vistos entrando e saindo pela porta da frente, como acontece o tempo todo nos prédios que deveriam ser as instituições responsáveis por zelar pelo tema do feriado lembrado no quinze de novembros desde 1.889.

Na escola a gente aprende que a República brasileira já nasceu com um golpe militar, feito pelos marechais que serviam ao império, que resolveram dar fim àquela história de ter que pagar dízimo para a coroa real gastar do jeito que bem entendesse, com seus luxos, festas e viagens, tratando os brasileiros como se fossem súditos que lhes deviam total obediência.

Hoje tem gente berrando que um golpe militar é necessário. Sem qualquer constrangimento. Como uma posição política de interesse democrático. Parece absurdo. Mas o caos é tão forte, que encontra eco na sociedade como um caminho eventualmente necessário.

Mandamos o Rei embora de volta pra Portugal e nascemos como uma República de Marechais. Saiu um Rei que mandava, entrou um Marechal do Exército que mandava junto com os velhos coronéis da época, que comandavam as unidades da federação.

Essa foi a grande mudança de lógica.

Deixamos de depender da cabeça de um, para depender da cabeça de muitos, nem sempre dispostos a buscar os “consensos da comunidade”, como pontuou o sábio Cícero ao definir as características de uma República: a regra mais simples para avançar de forma organizada e levando em conta o interesse público.

Foi assim que a nossa

República começou. Com um golpe à traição, pelas costas, sem chance de reação. São vários os motivos da revolução republicana armada de 1.889. Mostram que a história se repete com outras letras e nomes ao longo do tempo.
A elite econômica do país estava cansada de encher os cofres do Rei (empreender no Brasil nunca foi fácil). Também não aceitava que o país fosse governado pela princesa Isabel (quem reinava era machismo bravo). E o pior: Isabelzinha era casada com um francês, o Conde d’Eu que metia medo.
Pra piorar a situação, pelo interiorzão do Brasil, a grande maioria dos grandes fazendeiros estava puta da vida com a abolição da escravatura, que não permitia mais que seres humanos fossem usados como carros de boi. E pra completar, a autoridade da Igreja sobre o jeito de viver das pessoas estava sendo contestada por setores representativos da sociedade.
Foi assim que a nossa jovem República começou. Foi assim que ela caminhou até hoje. Golpe após golpe, entortando um pouco mais e aprofundando seus pecados de nascença. Na mesma toada de sempre, com alguns raros momentos em que se vislumbrou mudança de lógica e de hábitos.
A mesma que completa hoje 128 aninhos. Uma República de quatro símbolos oficiais: uma bandeira, um hino, um brasão e um selo. É muito pouco para tanto tempo. São símbolos que hoje já não mais nos representam como consenso.
Não vai ter bolo?!
Tenha um bom dia.

Independente se você acha que ser republicano é um direito ou um dever de quem recebe uma certidão de nascimento num lugar qualquer. Ou se entende que também precisamos conversar sobre um novo jeito de fazer jornal, time de futebol, sindicato, igreja, partido político, universidade, e assim por diante. Afinal de contas, como dizia Cícero, uma República precisa de consensos para existir. Principalmente quando resolve fazer as reformas – a toque de caixa – num momento crítico de transição. Ou golpe.

 

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