Um final de semana nojento, com noticiário nacional podre

Os representantes do poder político brasileiro ainda acham que podem convencer a sociedade de que estão no caminho certo. Mas a sociedade precisa dizer que não acredita, que não suporta mais. E propor um rumo...

direeeta_thumb_853x480Reprodução

Neste final de semana li as principais revistas e os principais jornais do país. Acompanhei o noticiário pelas principais emissoras de TV aberta e fechada, conversei com amigos, lideranças empresariais e sindicais e só descobri uma coisa: ninguém mais acredita que o Brasil tem governo. Ninguém mais acredita que o Brasil aguenta quieto.

São quase dois meses sem escrever uma linha. Quase dois meses aguardando o fim dessa novela melancólica e indigesta que a cada dia arrasta mais homens públicos e empresas particulares para o limbo, para o fundo da fossa de esgoto da política nacional.

E como o noticiário dos últimos dias foi capaz de arrancar o lençol branco que cobria mais alguns de nossos Santos com fantasia de apóstolos, só resta agora ao brasileiro comum pedir desculpas a si mesmo por ter acreditado que trocar vermelho-vergonha por azul-desbotado poderia fazer alguma diferença.

Nos nem sempre retos e previsíveis caminhos do propinoduto – que virou uma tortuosa e interminável novela-documentário em tempo real – caem as máscaras dos mais e dos menos suspeitos, misturando no mesmo pote velhas e conhecidas raposas com inimagináveis lobos com pele de cordeiro.

Se até alguns meses atrás o que se lamentou e que se ouvia nas ruas era: “o que fizeram com a Petrobrás?!” –  agora já se tem certeza de que não foi apenas na principal empresa brasileira que os tentáculos dessa centopeia rede político-partidária-pessoal se instalou para sugar até onde fosse possível imaginar.

Arranca a esperança do brasileiro ver também sua principal corte judiciária fazendo o papel de bombeiro-amigo, apenas para impedir que o incêndio se alastre para um lugar além do que foi combinado quando Dilma foi trocada por Temer, naquela sessão em que o Congresso Tapetão se transformou em Domingão do Faustão.

Se pegar até o Geraldo, fico torcendo pelo menos para não ficar demonstrado que o Suplicy também recebeu um dinheirinho por fora contabilizado por dentro para justificar seu relacionamento íntimo com as maiores empreiteiras brasileiras. Não faz isso comigo, Suplicy?! Se chegar em você pode deixar que eu mesmo apago a luz. É o fim.

A nossa geração não tem mais idade pra começar de novo. A gente passa o bastão. E assume a culpa por ter acreditado nos homens e mulheres errados nos últimos 30 anos. É só mandar cassar os direitos políticos de todo mundo que fez política nesse período. E o Brasil terá a chance de começar de novo com gente nova.

Se acontecer, preciso rasgar todas as lembranças daquele tempo em que o Brasil foi para as ruas em 1985 exigindo Eleições Diretas Já, quando tinha ainda 17 para 18 anos. Daquele palanque da Praça da Sé, do Vale do Anhangabaú, só quero guardar na memória a alegria do Osmar Santos (“Ripa na Xulipa e Pimba na Gorduchinha”) e a voz da Fafá de Belém cantando o menestrel das alagoas. Pelo menos não perdi tudo. #COMTODASASLETRAS