UM DIREITO DE RESPOSTA PARA O GOVERNADOR DE SÃO PAULO.

 

Redação Diário | Diário Botucatu

Não precisava se preocupar. Somos apenas um jornalzinho do interior, que não interfere em nada nas grandes decisões do país. Só conta histórias e faz perguntas que pouca gente quer responder com clareza.

O Diário Botucatu só perguntou “Por quê?!”.

E dirigiu a indagação ao governador Geraldo Alckmin, a quem cabe decidir se é justo pagar – ou não faz sentido pagar ao mesmo servidor público nomeado politicamente – um dinheirinho extra pra compensar o esforço e a dedicação a um projeto de governo, quando existe um teto salarial estabelecido aos servidores públicos de R$ 33,7 mil mensais.

O que justifica um servidor público receber mais do que isso?!

Mais que ganha um governador de Estado. Mais do que recebe um presidente, nesta República que faz aniversário hoje. Como é que se explica isso em língua portuguesa coloquial, aquela que mais gente consegue compreender, pra nenhum leitor de jornal neste país se reconhecer como analfabeto funcional: por não assimilar com facilidade a linguagem jurídica da nota da Secretaria de Comunicação do Governo do Estado.

Que parece ter saído do mesmo forno de onde saem aquelas declarações dos políticos acusados na Lava Jato. “Fiz tudo dentro da lei”, “As contas da minha campanha – ou do meu governo – foram aprovadas pelo tribunal de Contas”, “Estamos à disposição de Justiça para qualquer esclarecimento”.

E por aí vai…

O jornal também fez algumas reflexões sobre o PSDB paulista pra ilustrar a análise sobre o fato de alguns dos homens fortes do Governo de SP – e não só de SP, também de outros estados – terem o direito de receber um conjunto de remunerações que partem de um mesmo cofre público, acima do teto permitido para qualquer servidor público brasileiro.

O que este jornal quis dizer, é que isso é um subterfúgio do sistema político, que se legitima no vício da lei que abre a brecha. E pediu uma conversa franca sobre isso do governador com a sociedade paulista, com o povo aqui do interior, nossos leitores, com o povo da capital, o primeiro que abraçou a ideia de fundação do PSDB, um partido com valores e princípios bem definidos que assumiu compromisso com “o pulsar das ruas”, quando nasceu.

É o governador de SP, o líder e legítimo representante sobrevivente daquela ideia inicial, neste momento crítico para o PSDB e para São Paulo e para o país. Chegou a hora de nossos líderes políticos colocarem a cara pra bater de frente com o nariz da sociedade. Com todo respeito aos assessores de imprensa, mas não dá mais pra gente ouvir “versões oficiais” que continuam parecendo parte de uma estratégia jurídica.

O assunto da nossa análise, publicada na edição da última sexta-feira, que a assessoria do governador considerou “inexplicável” e “agressiva”, na verdade foi muito respeitosa. Até o picolé de “xuxu” com “x”, foi pra lembrar o respeito que a sociedade paulista sempre teve por Geraldo Alckmin, mais no interior do que na capital.

 

Não foi desrespeito. Foi exatamente o contrário, a nossa intenção. Aqui no interior de SP tem muita gente que acha que o governador pode ser um bom presidente. Mas também tem muita gente que acha, que depois de 24 anos no Governo de SP, é preciso apresentar um balanço: contábil, político e moral para renovar o crédito.

Gente paga com dinheiro público ganhando 47 mil, R$ 84 mil, R$ 131 mil…

Traduzindo, este jornal só perguntou o seguinte: Governador Geraldo Alckmin, porque o senhor concorda, aceita, paga e defende isso?!

Politicamente, não Juridicamente. Do ponto de vista ético dele.

E ousou querer saber o que ele acha – e também o que ele acha que pensam sobre isso – os outros milhares de bons servidores públicos do Estado de SP…

Como ele próprio parece ser. Pelo menos é o que a gente imagina.

Aí começa o diálogo produtivo com a sociedade paulista e brasileira que ele quer propor ao país, depois de ter governado São Paulo por quase 15 anos, fora o tempo em que foi vice de Mário Covas.

Um forte abraço!

Pedro Manhães*

Editor-Responsável

Diário Botucatu – Dbpocketpress

* caro subsecretário de comunicação do Palácio dos Bandeirantes: o pedido de uma entrevista “exclusiva” gravada de 45 ou 50 minutos com o governador continua de pé, agora formalizado aqui. Podemos discutir os detalhes por e-mail. Até breve…

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