Todo mundo de olho na defesa de João Cury Neto

Redação Diário | Diário Botucatu
João Cury se prepara para disputar uma eleição aos 45 anos: mas antes, precisa explicar o que fez aos 35

O prazo de 15 dias para a apresentação de defesa do ex-prefeito João Cury Neto (PSDB) e mais 10 pessoas denunciadas pelo ministério público por causa de irregularidades na licitação, contratação, utilização e fiscalização de um contrato de R$ 2,7 milhões assinado pela Prefeitura de Botucatu com a empresa Vale do Rio Novo, de Avaré, para a compra de sete mil toneladas de massa asfáltica.

O juiz da primeira Vara de Botucatu, Marcus Bachiega, atendeu no início de agosto, liminarmente, um pedido do promotor Cézar Rodrigues Marques e mandou bloquear o valor em bens de propriedade dos envolvidos: além do prefeito, o atual vice-prefeito André Peres, secretários e servidores municipais e a empresa e os sócios da empresa que forneceu a massa asfáltica.

O bloqueio imediato de bens serve para garantir o ressarcimento dos prejuízos causados aos cofres públicos municipais, em caso de condenação ao final do processo. Informações obtidas pelo DB dão conta de que não foram encontrados veículos registrados no nome do ex-prefeito botucatuense e de alguns outros denunciados.

Os onze denunciados têm até o final de agosto para apresentarem os argumentos iniciais de suas defesas. Em entrevista à Rádio Clube FM, esta semana, João Cury disse que estava angustiado com a questão, mas voltou a dizer que todos os esclarecimentos solicitados serão prestados. Na opinião do ex-prefeito o MP agiu de forma equivocada.

Em suas argumentações iniciais para a imprensa, Cury disse que a compra teria sido necessária por causa das fortes chuvas que caíram na cidade nos últimos meses de 2008 e também em janeiro de 2009, que forçaram o poder público a fazer a compra da quantidade de massa asfáltica contratada junto à Vale do Rio Novo. Mas não apresentou até agora os índices pluviométricos que poderiam fundamentar esta tese da defesa.

É grande a expectativa também em relação ao julgamento do caso Sangari, o maior contrato já realizado pela Prefeitura de Botucatu, também no primeiro ano do primeiro mandato do ex-prefeito botucatuense. No total, os questionamentos que fazem parte dos processos judiciais contra João Cury em relação a estes dois negócios feitos com dinheiro público em sua gestão, ultrapassam R$ 11 milhões.

Enquanto prepara a defesa e aguarda os desdobramentos das investigações e do andamento do processo, João Cury continua atuando como presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE-SP), cargo para o qual foi nomeado pelo governador Geraldo Alckmin 17 dias depois de transmitir o cargo para o sucessor Mário Pardini.

No FDE-SP, Cury tem visitado escolas e diretorias de ensino de todas as regiões do estado liberando recursos da Secretaria de Educação para reformas e ampliações em unidades escolares, na tentativa de consolidar seu nome para uma candidatura a deputado federal nas eleições de 2018, em dobradinha com o irmão Fernando Cury (PPS).

Se os dois olhos de Cury prestam atenção nos processos que tramitam no Judiciário, as orelhas ficam ligadas nas novas regras eleitorais que estão sendo debatidas em Brasília e que podem transformar cada estado do país em um Distritão, onde serão eleitos os candidatos mais votados independente do número de votos do partido.

Se as novas regras forem aprovadas em definitivo, em São Paulo seriam eleitos os 70 candidatos a deputado federal que forem mais votados individualmente, uma linha de corte que, nas primeiras avaliações, deve ser superior a 150 mil votos em 2018.

Dificilmente um candidato poderia receber mais do que um terço dessa votação num colégio eleitoral pequeno, como é o caso de Botucatu, independente do partido político pelo qual decida lançar sua candidatura. Ainda mais pelo PSDB, que possui muitos figurões com prestígio forte em grandes conglomerados urbanos que também vão disputar uma vaga na Câmara Federal.

A regra do Distritão é bem mais benéfica para seu concorrente direto na região, o deputado federal Milton Monti (PR), que já possui lastro eleitoral pulverizado pelo estado inteiro e largaria em vantagem, apesar de também estar tendo que explicar suas relações com pelo menos uma das grandes empreiteiras envolvidas na Lava Jato. Na última eleição, Milton Monti se elegeu graças a enorme votação de seu colega de partido, o palhaço Tiririca.

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