SE ADERIR À DELAÇÃO PREMIADA, O EX-HOMEM FORTE DO PT PODE SER A PONTA DE MAIS UM FUNDO ICEBERG

Redação Diário | Diário Botucatu
Por Pedro Manhães
– Editor DBPRESS –

PALLOCCI CONDENADO

Com sua primeira condenação, o ex-ministro da Fazenda de Lula e da Casa Civil do governo Dilma, o ex-prefeito de Ribeirão Preto Antonio Palocci agora deve decidir mais rápido se vai aderir à delação premiada, trazendo novos atores para o centro da Lava Jato.

A sentença:

12 anos e dois meses por corrupção passiva e 19 atos de lavagem de dinheiro. Preso no ano passado, foi a primeira condenação do ex-ministro, que também é réu em outros processos. Recebeu R$ 128 milhões em propina em nome do PT. O que garantiu para a Odebrecht um contrato para a construção de 21 sondas de exploração de petróleo. E a condenação de Palocci neste caso foi feita com base em provas anteriores à delação de Marcelo Odebrecht e seus principais executivos, acervo que se avolumou bem no decorrer da Lava Jato.

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MINISTRO PODEROSO

DE LULA E DE DILMA

Como ministro da Fazenda do governo Lula, Palocci era o responsável pela articulação do governo com os diversos setores da classe empresarial, para sentir o pulsar de seus interesses. Como ministro da Casa Civil do governo Dilma ele era o elo entre o gabinete presidencial e os recursos para obras públicas e a classe política, leia-se senadores, deputados, governadores, prefeitos e seus interesses político-eleitorais. Palocci assumiu o papel institucional que era de José Dirceu, até este ser preso. E ele também. E segundo os delatores, o bastão teria sido passado para Guido Mantega, depois que Palocci também caiu.

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ERA UMA ESPÉCIE DE ‘MEIA ESQUERDA’

QUE JOGOU MUITO NA ‘MEIA DIREITA ‘

Foi Palocci que deu credibilidade à economia no momento de incerteza em que Lula assumiu seu primeiro mandato presidencial. E também foi quem garantiu ao mercado que cuidaria de Dilma para que seu governo cumprisse a cartilha combinada lá atrás, quando ele conduziu a transição entre os interesses do Governo FHC e os interesses do Governo Lula.

E também foi Palocci quem sentou em nome do governo de transição pra conversar com todos os setores estratégicos do PIB nacional que – imediatamente – se tornaram garotos propaganda da gestão do PT e cumpriram a primeira parte do projeto de 20 anos de poder. Sendo parceiro de diversos personagens hoje bem conhecidos da elite empresarial brasileira que emergiu nesta última virada de século.

Vale a pena até dar uma folheada nos jornais antigos pra saber quem eram os segmentos empresariais que sempre apareciam sorridentes nas fotografias, enquanto Palocci percorria o país participando de reuniões com o clube dos bilhões, os que são movidos por taxas de juros interessantes, condições tributárias vantajosas ou portas abertas na burocracia estatal para ter vontade de se arriscar a empreender em um país como o nosso.

É nesse mundo que Palocci circulava. Provavelmente em breve o Brasil vai saber muito mais. Um homem que no Governo Lula comandou o Ministério da Fazenda e no meio do escândalo do mensalão (2005) teve que pedir demissão. Voltou alguns anos depois, no início do Governo Dilma, como uma espécie de primeiro ministro, mas teve que pedir demissão de novo, por causa de acusações por envolvimento em casos de corrupção.

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ANTONIO PALOCCI, EX-PREFEITO DE RIBEIRÃO PRETO NOS ANOS 90
Pode aderir à delação premiada e entregar mais gente que participava do forte “toma lá da cá” entre interesses políticos e empresariais, tirando a Lava Jato do Governo Dilma e levando para o início do Governo Lula (2003), lá na transição com FHC (1.995-2002).

Quem é Antonio Palocci?

É um médico de 56 anos, que nos Anos 80 era militante da Convergência Socialista, um dos diversos “mini-partidos” que se abrigavam dentro do Partido dos Trabalhadores (PT). Um tempo em que os petistas ainda se enfrentavam bravamente internamente para fazer valer suas ideologias e convicções sobre a forma de fazer política e o ambiente de fervura era constante nos seminários, congressos e convenções. Ele foi de militante do interior a dirigente nacional subindo todos os degraus com os passos largos de quem sabe construir alianças, cumprir acordos e tirar do caminho os adversários inconvenientes.

Em 1.988 se elegeu vereador em Ribeirão Preto. Largou o mandato na Câmara Municipal dois anos depois para se candidatar a deputado estadual e se elegeu. Assumiu o mandato na Assembléia Legislativa de SP no início de 1.990 e cumpriu o mandato apenas por dois anos. Em 1.992, voltou para Ribeirão Preto e se elegeu prefeito da cidade pela primeira vez, num mandato que se estendeu até o final de 1.996.

Em 1.997 e 1.998 foi presidente do Diretório Estadual do PT-SP. Em 1.998 se elege deputado federal por SP. De novo, larga o mandato no meio. Deixa Brasília e volta para Ribeirão Preto, onde se elege de novo prefeito da cidade nas eleições do ano 2.000. Em 2002, vira o coordenador nacional da campanha de Lula para Presidente, no lugar do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel, que havia sido assassinado antes do inicio da campanha.

Agora caiu. Mas conhece os bastidores das relações que acontecem no topo da política e da economia. Foram muitos jantares informais e reuniões produtivas olho no olho com quem comanda o país em todos os setores. Esse é o medo de quem fez parte do circuito que passou por Palocci, e depois, por Guido Mantega, os homens que decidiram e comandaram os lucros e as perdas de uns, tendo na mão a caneta que ditava o tom. O problema é que no isolamento de Brasília todo mundo acaba fazendo alguns amigos. E amigos, quase sempre têm outros amigos, em busca de amigos, que tenham amigos no poder. E assim caminha a política brasileira.

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