PSDB precisa romper com Michel Temer, punir filiados envolvidos e se reinventar como partido

Essa é a posição do Presidente da Câmara Municipal, vereador Izaías Colino (PSDB), que foi a primeira liderança tucana de cidade a responder as perguntas enviadas pelo Diário Botucatu, na manhã de ontem.

 

 

Redação Diário | Diário Botucatu
Izaías: “Este é um exercício que precisa ser feito por todos os partidos”
Por Pedro Manhães
EDITORIA POLÍTICA & SOCIEDADE

Esta semana o Diário está buscando ouvir as principais lideranças do PSDB de Botucatu a respeito da crise política, que colocou o partido no centro das atenções do mundo político, já que a saída dos tucanos da base de apoio do governo Michel Temer é considerada como definitiva para fazer o presidente perder a governabilidade do país.

Entre os tucanos existem três correntes. Os que querem a queda do presidente através de um processo de impeachment, os que costuram um governo de transição aguardando a possível decisão do Tribunal Superior eleitoral no julgamento da cassação da chapa Dilma-Temer e os que querem manter Temer no poder até as eleições de 2018, por considerar esta alternativa menos traumática.

O vereador Izaías Colino é filiado ao PSDB desde 2007, quando se tornou presidente da juventude do PSDB. Ele cumpre seu segundo mandato como vereador. Em 2008, se elegeu pela primeira vez, na esteira da consagradora vitória de João Cury para prefeito. Nas eleições de 2012 e 2016 se reelegeu novamente. Desde o dia primeiro de janeiro de 2017 ocupa a presidência da Câmara Municipal de Botucatu.

DB – Na sua opinião, o PSDB deve partir para o rompimento com Temer ou continuar fazendo parte do governo?

IZAÍAS COLINO – “Não falo em nome do partido, apenas tenho a minha opinião pessoal. Acho que o governo Temer passa por um enorme desgaste político. É muito difícil avaliar a conduta administrativa de um presidente, quando você pega este mesmo presidente tendo sido gravado em uma conversa, no mínimo indecorosa, com um empresário que comandou um dos maiores esquemas de corrupção do Brasil. A minha posição, como militante do PSDB, é que o partido deveria sim sair da base do governo Temer. Um governo que, infelizmente, se mostrou maculado em tudo o que a gente espera de ética e moral”

DB – Como você acha que o PSDB deve se comportar em relação aos seus membros envolvidos nos escândalos que estão sendo investigados pela Operação Lava Jato?

IZAÍAS COLINO – Já me manifestei, inclusive nas redes sociais, em relação a isso. Sou um defensor de que todos aqueles que transgrediram a lei  – não apenas os membros do meu partido – paguem por isso, ainda mais se tiver dinheiro público envolvido. O Brasil não precisa mais de uma política dessa forma. O Brasil precisa de bons políticos que queiram servir, não que queiram se servir da política. E isso aconteceu. Acho que o país tem um momento ímpar na sua história para fazer uma reflexão sobre o sistema político e o sistema eleitoral e da forma de financiamento de campanha e alterar todo esse panorama que a gente tem. Acho que a gente precisa punir exemplarmente todos aqueles que estão envolvidos, em especial os políticos, mas acho que não podemos perder a chance de fazer uma profunda reflexão sobre esse teme. Eu acho que é a hora de passar o Brasil a limpo.

 

DB – Como você se posiciona na disputa interna do PSDB paulista entre os grupos que querem dar sustentação política ao governo e os que defendem a queda do presidente?

IZAÍAS COLINO – Tenho acompanhado as movimentações do PSDB no estado de São Paulo. Existe um segmento do partido que entende que se deve aguardar o julgamento dessas denúncias e também da chapa (Dilma-Temer) no TSE. Eu respeito essas posições. Mas a minha posição particular – se eu fosse chamado em uma reunião para dar um voto sobre isso –  é de rompimento. O PSDB precisa desse rompimento. E também precisa punir os seus quadros que, eventualmente se mostrarem envolvidos nessas praticas de corrupção, que inclusive estão sendo atribuídas ao (senador) Aécio Neves – o que pra mim foi uma profunda decepção – e precisa se reinventar como partido. Na verdade acho que esse não é um exercício só do PSDB, é um exercício que precisa ser feito por todos os partidos. A gente percebe pela lista da Lava Jato que praticamente todos os partidos, infelizmente – com raríssimas exceções –  estão envolvidos nisso. E a gente precisa pensar em novas práticas políticas.

Por Pedro Manhães
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