PSDB: O ESPÍRITO PARLAMENTARISTA DENTRO DE UM CORPO PRESIDENCIALISTA

O problema tucano não é Geraldo, Tasso ou Marconi Perilo?! Não é quem vai ser presidente nacional. O problema é como é que resolve o joguinho de cartas do estado de SP.

Redação Diário | Diário Botucatu

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O ACORDO QUE FHC JÁ DEVE TER PROPOSTO.

O problema do PSDB é ter rasgado seu próprio ideário de nascimento e jogado na lata do lixo seu estatuto. Ou se reinventa ou vira piada.

O partido que nasceu propondo parlamentarismo, montou uma estrutura organizacional presidencialista, sua primeira incoerência.

O PSDB teve 30 anos para experimentar a ideia de ser um partido com identidade e formato organizacional bem definido. Não fez.

Talvez por isso tenha que usar FHC em todo momento como Poder Moderador, digo, Conciliador, Abafador, para acalmar as diferentes visões do Brasil de suas principais lideranças contemporâneas.

FHC tem medo é de briga no voto dentro do partido no qual é considerado a referência intelectual e que referência política nunca foi, o que é uma pena.

Não foi porque nunca se interessou em ser, em 30 anos de história, militante partidário, sua vocação sempre foi a de congressista, a de estadista talvez, em alguns momentos. Não é homem de Convenção, portanto, não tem alma de militante. É um intelectual, do tipo que valoriza e dá show em Congressos. Foi assim quando o PSDB nasceu. Montoro organizava, Fernando Henrique falava, Mário Covas discursava, José Serra mandava.

Toda vez que FHC aparece na fotografia é por fazer o papel de cartório carimbador ou propositor de acordos, tentando reunir o que não dá mais para unir dentro da mesma gaiola.

Geraldo Alckmin, Arthur Virgílio e, principalmente, Tasso Jereissatti, hoje são as referências que importam para a parcela da sociedade brasileira capaz de compreender o que se passa dentro do partido que completa 30 anos de vida em 2018 e ainda possui milhões de brasileiros vestindo a sua cor.

O problema dos paulistas é onde enfiar o trio parada dura: Serra, Goldman e Aloysio Nunes Ferreira, o senador do PSDB que fez carreira política em São José do Rio Preto (SP) e que em São Paulo nunca foi oposição desde que se elegeu deputado pela primeira vez.

Os três são, talvez, o que representam para os petistas figuras como Eduardo Suplicy e Fernando Haddad (SP), Paulo Paim e Olívio Dutra (RS) e Jaques Wagner (BA). Os que ainda parecem que dá pra confiar dos que fizeram a trajetória petista – que já completou 30 anos – como protagonistas do partido da estrela dourada, hoje também com muitas de suas figuras históricas com as barbas de molho, como personalidades de setores tucanos influentes.

No estado de São Paulo, o partido que já tem 24 anos de Poder ainda não definiu o nome que vai por a cara para pedir mais 4. Nem os nomes que vai lançar ao Senado Federal: a disputa majoritária. No meio dos rostos novos – que pareciam oxigenar o partido em São Paulo – José Serra já surge reivindicando a vaga de candidato a governador.

O presidente nacional que Aécio nomeou – Alberto Goldman – já foi vice “escolhido” de José Serra, quando foi governador (2006-2010), hoje vota com a turma que tem como único objetivo político forçar de novo a mesma conjuntura de 2006: apoiar Alckmin para presidente em troca do apoio do grupo dele para a candidatura de Serra ao Palácio dos Bandeirantes.

É.

Desse jeito não vai dar pra fazer festa de aniversário, comer bolo e cantar “com quem será”.

Michel Temer, Aécio Neves e José Serra não vão deixar. E olha que dos três, só um nunca foi candidato a presidente. O que hoje paga a conta.

 

Tenha um bom dia.

Independente se você acha que o PSDB serve para mais alguma coisa na política brasileira ou já chegou a hora de aposentar as velhas ideias dessa tal social democracia parlamentarista de partido presidencialista porque muitos tucanos de hoje já não acreditam mais nisso. Igualzinho lá no começo. Na capital e no interior de SP.

 

#comtodasasletras

Pedro Manhães,

50 anos, é Editor de Conteúdo da PM&A,

rede associativista que atua na área de comunicação, marketing e entretenimento.
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