Pinho e Caldas: os braços de Lula em Botucatu

Sustentando o sonho presidencial da esquerda, se enfileiravam nomes como os professores da Faculdade de Medicina da Unesp Valdemar Pereira de Pinho (PT) e Antonio Luiz Caldas (PCdoB), que representavam os partidos de esquerda mais organizados na cidade.

Redação Diário | Diário Botucatu
Pinho – Liderança histórica do Partido dos Trabalhadores em Botucatu. Foi vereador constituinte (1.989-1.992), candidato a prefeito (1.992), vice-prefeito de Mário Ielo (2001-2008) e novamente candidato a prefeito (2008)

Na cidade dos bons ares, os braços de Fernando Collor em 1.989 eram políticos de famílias tradicionais da cidade, com forte atuação nos setores de comércio, indústria e serviços, como Bosco, Losi e Carreira.

Do outro lado, sustentando o sonho presidencial da esquerda, se enfileiravam nomes como os professores da Faculdade de Medicina da Unesp Valdemar Pereira de Pinho (PT) e Antonio Luiz Caldas (PCdoB), que representavam os partidos de esquerda mais organizados na cidade.

Os dois, depois, tomaram caminhos diferentes na política. Pinho, que era vereador eleito em 1.988, foi candidato a prefeito de Botucatu em 1.992, na eleição que também foi disputada por Bosco e pelo advogado Junot de Lara Carvalho, todos eles derrotados por Jamil Cury, que teve sozinho cerca de metade dos votos válidos da cidade.

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Caldas – Principal referência do PCdoB, foi vereador (2001-2008) presidente Câmara Municipal (2001), candidato a deputado estadual (2002) e vice-prefeito de Botucatu (2009-2016). Hoje é Secretário de Cultura de Mário Pardini (PSDB)

Os partidos de esquerda voltaram a mostrar a sua força em 1.996, na mais disputada eleição municipal da história da cidade, quando três candidatos a prefeito chegaram praticamente juntos na reta final, disputando voto a voto até o final da apuração: o eleito Pedro Losi (PSDB), Antonio Mário Ielo (PT) e Arthur Sperandéo de Macedo (PMDB).

Naquela eleição, a diferença entre o primeiro e o terceiro colocado foi de pouco menos de 1.500 votos, numa apuração que atravessou três dias seguidos dentro do ginásio da Associação Atlética Ferroviária, na última disputa eleitoral em que o voto foi em papel (cédulas preenchidas com caneta pelo eleitor), antes da chegada das modernas urnas eletrônicas, o que aconteceu a partir da eleição seguinte.

Depois de 1.996, não teve jeito. Com a onda Lula se fortalecendo a cada nova eleição, o PT e seus aliados também foram se consolidando como organizações políticas com viabilidade eleitoral nas cidades do interior do Brasil, sempre mais conservadoras no que diz respeito às mudanças.

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Rúbio – Um militante do PT de origem sindical, líder dos trabalhadores rurais da região, foi vereador (2001-2008), presidente da Câmara Municipal (2005-2006) e candidato a deputado estadual. Hoje está distante da política partidária.

O forte desgaste político do PSDB durante a gestão de Pedro Losi, com o rompimento político entre Jamil Cury e o então deputado Milton Flávio, os enfrentamentos internos entre os grupos muito diferentes que faziam parte do governo – e também a crise financeira que abalou os cofres da prefeitura, que começou a atrasar salários dos servidores e fornecedores municipais – abriu a brecha definitiva para a chegada ao poder municipal do grupo que balançava a bandeira de Lula em 1.989.

No ano 2.000, com os tucanos divididos e Lula apontando no horizonte como futuro presidente, Mário Ielo & Cia tiveram sua primeira vitória, deixando praticamente empatados em segundo lugar Pedro Losi (PSDB) e Milton Bosco (PV).

Era o começo de uma nova jornada. O histórico Pinho era o vice-prefeito. O experiente Caldas, o presidente da Câmara Municipal. A esquerda botucatuense finalmente chegava ao poder, onde permaneceu até 2008, quando uma nova geração de tucanos os destronou da prefeitura, depois de atrair o PCdoB para dentro do ninho.

O resto é história recente. Todo mundo já sabe. Mas começou lá atrás.

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