Os rivais do PSDB eram chamados de “ladrão” em SP

Redação Diário | Diário Botucatu

Legenda:

Quércia assumiu o controle do PMDB paulista quando era vice de Franco Montoro
Fleury, o último governador peemedebista de SP: gestão com cara de fim de festa

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Os políticos que saíram do PMDB e fundaram o PSDB, em 1.988, falavam com a boca cheia – e sem meias palavras – que os ex-governadores Quércia e Fleury quebraram o estado de SP porque superfaturavam a construção de estradas, pontes, escolas, hospitais ou qualquer outro tipo de obra que precisasse dos serviços de um grande empreiteiro parceiro.

Fora os cargos fantasmas criados em diversos órgãos para dar um holerite gordo sem precisar bater cartão de ponto em lugar nenhum, para os companheiros que faziam campanha na periferia da capital e em diversas cidades do interior: era o Caso Baneser, que revelou muita gente que tinha prestígio na região, mas ninguém sabia que tinha cargo de funcionário fantasma no Governo, pra fazer política para o PMDB na terra natal.

E o outro lado, o que apanhava, nem respondia. Apenas sorria com o canto da boca, dando uma banana para o que pensavam aqueles tucanos idiotas – que largaram posições importantes dentro do Governo do Estado, para ser repartidas entre os que se mantiveram junto do ex-governador Orestes Quércia, como Milton Monti (hoje no PR, uma linha auxiliar do PMDB) e Michel Temer (que chegou longe graças a sua intensa habilidade política), só para dar alguns exemplos mais próximos do nosso cotidiano atual.

Em 1.998, teve que se mudar para Brasília, forçado pela eleição, em 1.994, de um deputado estadual em Botucatu: o médico Milton Flávio (PSDB), hoje secretário municipal de João Dória na prefeitura da capital.

A região era pequena demais para dois homens disputarem com chance de vitória a mesma posição.

Quando o PT de Mário Ielo conseguiu arrancar os tucanos da prefeitura de Botucatu, o cenário voltou a ficar bem mais confortável para o deputado sãomanulense. Afinal de contas, havia um novo grupo para se aliar, nos embates políticos da principal cidade da região.

Em 2010, em busca de mais uma reeleição para deputado federal, Miltinho fez material de campanha de Lelo Pagani (ex-PT, hoje na REDE), que era o candidato a deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores, Lula era presidente. O PR, partido de Miltinho, estava enfiado até as tampas com o mensalão petista.

A relação era umbilical. E a bandeira do PT de Botucatu junto com a dele, ampliava seus votos junto ao eleitor petista. O acordo contou com as bênçãos de Mário Ielo, sempre pronto a colaborar quando o objetivo é impedir o avanço de seus adversários tucanos locais.

Em 2014, a estratégia mudou de lado. A parceria de campanha de Milton Monti não foi com Rose Ielo (PT), que se candidatou a deputada estadual. Foi com Fernando Cury (PPS), no grande acordo abençoado por João Cury, que articulou uma estratégia perfeita, ao pulverizar seu time para dar um pouquinho de voto para os federais do PSDB, e deixar correr solta a grande parceria entre os Cury e os Monti por toda a região. Deu certo para os dois lados.

O leitor pode ficar tranquilo. Isso tudo não vai conseguir esfriar a nossa quente e intrigante política regional. A briga é de cachorro grande e está só no começo.

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