O SACI E OS NOSSOS VELHOS DEBATES SOBRE ESSA CIDADE DOS BONS ARES…

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O Halloween vai chegando com força para ocupar o 31 de outubro como tradição. A data, que virou Dia Nacional do Saci (de Botucatu e do Brasil), vai aos poucos deixando de lado seu sentido original, de tradição: isso é globalização cultural ou colonização natural?!

Botucatu (SP), logo depois da virada para o século 21, resolveu assumir como seu o personagem representado no folclore pelo negrinho de uma perna só. O impacto foi grande. A polêmica, enorme. Entre “apoiantes” e “rejeitantes” da ideia nunca houve um acordo.

A cidade, com forte orientação religiosa em sua vida comunitária, não abraçou o negrinho de uma perna só com a força que podia. Deixou suas contradições sobre o que representa a figura do saltitante e matreiro da boina vermelha, impedirem uma adesão maior à ideia.

Em 2015, aconteceu, em Botucatu o 15º Festival Nacional do Saci.
Em 2016, nada.
Em 2017, nada.

Parece que a cidade esqueceu de vez do personagem.
Nossos velhos criadores continuam por aí, lutando sozinhos pela sobrevivência da espécie, sendo atropelados pela moda – e pelo apelo mais forte – das comemorações de Halloween, que ocupam as redes sociais com uma força enorme nestes últimos dias.

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A festa cultural importada vem mostrando que atrai mais, alegra mais e mobiliza mais que a ideia de reviver o nosso velho e engraçado folclore caipira, com suas mulas-sem-cabeça, seus lobisomens, seus Sacis, Emílias, Pedrinhos e Narizinhos, como contava o escritor Monteiro Lobato em seus livros que viraram depois a série de televisão mais vista pelas crianças nos Anos 70 e 80.

O saci de Monteiro Lobato era um personagem que tinha a confiança da família e dos outros personagens do sítio do pica pau amarelo, apesar de suas travessuras. Tinha até o carinho da vovó Benta – e respeito de um sabugo de milho que parece ser a imitação perfeita de Eisntein, caso tivesse nascido com esse sotaque dos “rs” aqui no interior.

Mas o fato é que apesar de toda a riqueza cultural representada pelo saci-pererê de Monteiro Lobato, Botucatu (SP) vai aos poucos deixando de lado a tradição que sua Associação Nacional dos Criadores de Sacis (A.N.C.S.) ajudou a construir e projetar junto com o nome da cidade.

Uma pena a criação de sacis hoje não estar vivendo mais seu melhor momento na cidade. Parecia ser um bom motivo para muita gente querer conhecer e se encantar com Botucatu (SP) e suas histórias, causos e lendas que representam uma visão caipira de nossas belas tradições, repletas de personagens do imaginário popular que povoam a nossa rica cultura nacional.

Mas pelo menos tem Halloween.
E com certeza, no Halloween brasileiro, cabe um saci-pererê bem danado pra animar a festa e não deixar morrer uma de nossas mais criativas invenções. Até porque se a festa de 31 de outubro vai ser globalizada, pelo menos que tenha um personagem made in Brazil inserido no meio da festa. Um produto original do Brasil (tipo exportação). Quem sabe cabe um saci-pererê no meio de um Halloween globalizado que se preze.

E a gente não perde uma história que Monteiro Lobato eternizou no papel e nas palavras porque uma geração não contou a história para a outra. E deixou as bruxas e os bruxos da tradição irlandesa tomarem conta de uma data que onde uma perna a mais faz toda a diferença na graça que a história tem.

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Tenha um bom dia.
Independente se você acha que o lugar de bruxas e sacis é apenas nos livros infantis ou se é do tipo que vibra quando um conto, um causo ou uma estória pra boi dormir vira uma enorme tradição porque atravessa várias gerações e conquista um lugar na vida das pessoas.
O saci de Monteiro Lobato era um personagem que tinha a confiança da família e dos outros personagens do sítio do pica pau amarelo, apesar de suas travessuras