O MAJOR VIRA PREFEITO DEPOIS DE 20 ANOS

Redação Diário | Diário Botucatu
Ricardo Salaro sorri ao lado do Major Rubin. Neste momento, quem está de cara fechada é o prefeito. Quem sorriu primeiro, sorriu pior.

As eleições do ano passado tiraram a prefeitura da cidade das mãos do grupo do deputado federal Milton Monti (PR) ao impedir a reeleição de seu irmão Marcos Monti. A derrota acabou comprometendo parte de sua estrutura política regional, em grande parte abrigada dentro e no entorno da máquina pública municipal.

Marcos Monti governava a cidade pela segunda vez (de 2013 a2016). A primeira foi de 1.993 a 1.996. A cadeira de prefeito da cidade também havia sido bem antes, o primeiro cargo público do próprio Milton Monti (1.983-1.988), quando ostentou o título de prefeito mais jovem do país, eleito na avalanche do PMDB nas urnas paulistas de 1.982.
A decisão de cassar Ricardo Salaro foi tomada na noite da última sexta-feira (20), em uma sessão que durou mais de seis horas e terminou com o afastamento do prefeito do cargo. O vice-prefeito Major Rubin (PSDB) foi empossado pela Câmara Municipal logo após a decisão.

Ricardo Salaro disse que vai recorrer à Justiça contra a decisão. Para a defesa do prefeito, que foi feita pelo advogado botucatuense José Eduardo Rodrigues Torres (ex-presidente do Diretório Municipal do PSDB local), a cassação de Salaro foi uma decisão política, que não observou as provas de inocência apresentadas pela defesa que constam nos autos do processo.

Dos sete vereadores que faziam parte da bancada que sustentava Ricaro Salaro no Poder Legislativo, quatro votaram a favor da cassação. Apenas três se mantiveram ao lado do prefeito, contrários ao seu afastamento do cargo.

UM ‘MAJOR TUCANO’ ASSUME O PODER NA SEGUNDA MAIOR CIDADE DA REGIÃO DE BOTUCATU (SP).

Major Rubin já assumiu. Realizou o sonho de ser prefeito da cidade, o que já havia tentado antes, sem sucesso, no tempo em que ainda era capitão da PM. Ele já havia sido candidato a prefeito da cidade outras vezes, mas sempre bateu na trave. Acertou, parece, quando topou ser vice de Ricardo Salaro, com as bênçãos de João Cury.

Em sua longa carreira político-eleitoral na cidade de São Manuel – que possui muita tradição na política paulista desde os tempos em que o dinheiro que sustentava campanhas dependia da safra de café – o agora prefeito Major Rubin já foi aliado dos grupos de Milton Monti (PR) e de seu maior adversário local nos últimos 20 anos: o ex-prefeito Flavinho Silva (PSB).

Os dois grupos tradicionais rivalizavam no município nas últimas cinco eleições – até que os jovens políticos da família Cury (de Botucatu) – resolveram entrar no meio da briga e construir uma terceira via, mandando os dois para o banco duro da oposição.

O grupo de João e Fernando Cury atraiu para compor a chapa o Major Rubin, que também pretendia ser candidato a prefeito.

Na época, Rubin argumentava que Salaro sequer morava na cidade e que ele seria o candidato mais viável. Mas, depois de muita negociação e conversa, muita insistência mesmo, acabou aceitando ser candidato a vice-prefeito.

O Major Rubin, devidamente empossado como prefeito, agora está nas mãos dos 10 vereadores que lhe deram a prefeitura de presente: justamente aqueles que apoiaram os adversários que ele (como vice de Salaro) enfrentou nas últimas eleições.

Mas isso não parece ser um problema. Ele já assumiu afirmando que vai montar sua equipe de governo e “trabalhar por São Manuel”, mostrando que não pretende ser tão solidário assim com Ricardo Salaro, a cara nova que fez São Manuel acreditar em mudança.

Aliás, até agora não deu nenhuma declaração pública lamentando a cassação do prefeito do qual era o vice até a chuvosa noite de sexta-feira passada. Talvez, tenha aproveitou o final de semana para comemorar a vitória nas urnas da Câmara Municipal.

Tenha um bom dia.

Independente se você acha que uma Câmara Municipal de qualquer cidade – e o seu conjunto de vereadores – é movida sempre pelo interesse público ou quase sempre apenas por interesses político-eleitorais difíceis de compreender