O dia em que o jornal errou, e Mário Ielo processou

Redação Diário | Diário Botucatu
Mário Ielo, quando recebeu a ilustre visita do ex-ministro José Dirceu (condenado no mensalão e na Lava Jato), no início de seu primeiro mandato como prefeito da cidade

Comunicação também é assunto pra profissional especializado. Assim como a política é para quem faz dela um meio de vida. Mas como até os bons profissionais erram – assim como aqueles que são considerados bons políticos – um dia este editor também trocou sem querer, talvez por preguiça de pensar, a palavra “concorrência” pela palavra “licitação”, no texto de uma manchete. E tomou uma invertida dos bons e atentos advogados do ex-prefeito petista.

Formaram a moral da história de todas as dezenas de questionamentos públicos que este jornal fez em relação ao então prefeito petista, as duas palavras entre aspas do parágrafo anterior, que 98% das pessoas acha que é a mesma coisa. Mas do ponto de vista da responsabilidade de um jornalista também não deveria ser.

E o erro foi punido exemplarmente, matando a história de uma investigação que estava apenas no meio do caminho. E que agora, depois do mensalão e do petrolão, a gente bem que podia debater de novo, só pra exercitar se faz sentido tudo o que ainda não foi dito.

Condenado pela Justiça, este jornal teve que ceder uma página inteira de direito de resposta. Fora a humilhação de ter que carregar a pecha de quem estava perseguindo um homem público de forma irresponsável, por ter amigos que eram seus adversários.

E não estava. Nunca esteve.

Por ter trocado uma única vez, por uma única palavra errada, em um parágrafo qualquer de um editorial de opinião como esse, que acho melhor terminar agora, para não correr de novo esse risco, já que o momento não está fácil.

Essa é a responsabilidade de um jornalista.

Ser responsável pelo que sai de sua boca também deveria ser responsabilidade de um político. De um, não. De todos. Inclusive de Mário Ielo. Nossos problemas nunca foram políticos. Sempre foram pessoais. Por falta de limites entre o que é um debate sobre as posturas do poder público e o que o que fica dentro dos limites da vida familiar de cada um. E não fui eu que errei na dose de invasão de privacidade com as palavras, no caso exato em questão.

Um dia até pedi desculpas, quando escorreguei no exagero. Ele sabe disso. E quem era seu jornalista mais próximo na época foi testemunha daquela conversa entre dois homens que tinham pequenas diferenças para acertar na vida, mas conseguiram, por 24 horas, demonstar respeito um pelo outro.

Aguardo até hoje o pedido de desculpas que não chegou, apesar dos insistentes recados que mandei pelos companheiros do PT que sempre respeitei, e também se preocupavam com o nível que a coisa desceu em alguns momentos dessa trajetória.

São histórias de um tempo em que todos nós, inclusive os leitores deste antigo jornalzão de roupagem nova, éramos quase vinte anos mais jovens. Mas um tempo em que também, cada um sabia claramente qual era o seu papel. E o exercia com a segurança e a altivez que tinha – ou que não tinha dentro de si – ao verbalizar cada palavra naqueles belos debates públicos sobre a cidade que todo mundo gostava de acompanhar de perto.