O Desafio de empreender sem confiança no brasil

 

Redação Diário | Diário Botucatu
Pedro Manhães
Editor DBPRESS

Conversei neste início de semana com meia dúzia de pequenos empreendedores de setores diferentes para tentar entender pra que lado o Norte da bússola deles está apontando. Pra lugar nenhum, foi a resposta que mais ouvi.

Pra tudo quanto é lado, sem atingir resultados, foi a segunda resposta que mais encontrei. O esforço, a luta e a persistência dos milhões de pequenos empreendedores brasileiros, podem ser comprovados em qualquer esquina, de qualquer quarteirão, de qualquer cidade do nosso país.

O problema é que sem a convicção de que qualquer ação possa realmente provocar uma reação, cruzar os braços acaba sendo a segunda melhor opção: aquela que gera menos riscos, num momento em que todo mundo parece estar sacudindo dentro desse redemoinho chamado Brasil.

Os empreendedores há muito tempo aguardam um sinal claro dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, os que comandam a República brasileira  e definem o Norte. E nenhum deles está dando as respostas necessárias para que o país acredite que existe um rumo para essa nave desgovernada.

A ação do Estado é sempre mais ágil para cobrar, arrecadar e executar do que para interpretar, compreender e estimular quem empreende. Evidentemente essa premissa não vale para aqueles que vivem dos privilégios que a turma do colarinho branco é capaz de proporcionar e que não fazem parte da vida real dos 4 milhões de micro e pequenos  empreendedores que fazem das tripas coração para se manter em pé.

Não vale mesmo a pena correr riscos, estabelecer metas, trabalhar e investir tempo e dinheiro para alcançar resultados num cenário como esse.  A impressão geral é a de que hoje não tem ninguém dentro da zona de conforto. A zona do desconforto é que está lotada de gente.

Somos todos reféns de decisões das quais não participamos efetivamente. Tem muita gente com cara de pau e pouca gente com cara de mau, tomando as decisões políticas que podem nos fazer respirar e encher o balão de oxigênio que pode nos levar, quem sabe, ao início de um novo tempo.

Nossa democracia representativa nos bate na cara todos os dias. Nossos políticos tradicionais são eleitos comprando voto e prestígio com recursos públicos. Boa parte dos eleitores participa do processo trocando seu direito de escolha por favores quase sempre pessoais.

Infelizmente, não dá pra repensar um país que admite claramente que pensa assim. Não dá pra pensar assim e não admitir que não dá para repensar. Não é possível remendar aquilo que não se emenda mais. Desse jeito, não tem mais jeito. Acorda Brasil. Antes que o Brasil desista.

Tenha um bom dia.

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