Não somos todos canalhas

Redação Diário | Diário Botucatu

 

Aqui no interior de São Paulo, toda vez que surge na TV ou na web a divulga­ção de um novo áudio com aqueles diálogos claros, francos e explícitos em que políticos e empresários conversam sobre a forma mais adequada de dividir a rapadura, a gente bate palmas. E sempre que um deles é pego com a boca na botija ou com a digital do dedo na frente da ferida, e surge algemado, a gente pensa: o Brasil está melho­rando.

A nossa torcida agora é para o Pallocci, o Mante­ga e o Eduardo Cunha en­trarem logo no acordo de delação e despejarem um pouco mais de emoção e munição nas mais de 280 horas de grampos e grava­ções autorizadas pela Jus­tiça, que hoje servem de base para o indiciamento de agentes públicos e priva­dos que faziam parte dessa estruturada organização criminosa. Uma transmis­são na íntegra, sem cortes ou edições de todos esses diálogos, daria um reality show com mais de 11 dias de duração. Impossível as­sistir sozinho.

Os Editores dos princi­pais jornais, revistas e pro­gramas informativos de rá­dio e televisão – e todos os que fazem bom jornalismo e análise contemporânea com qualidade e conheci­mento de causa no mundo digital – também estão pau­tando seus repórteres mais experientes e preparados, no acompanhamento dos bastidores da crise. É a Imprensa, essa instituição centenária até hoje respei­tada no Brasil, fazendo a parte que lhe cabe no es­clarecimento dessa bagun­ça toda.

O país só viu até agora pequenos trechos dos áu­dios. E talvez, o próprio va­zamento seletivo e gradual de todos estes fatos e pro­vas, possa proporcionar uma compreensão didá­tica por parte dos setores menos politizados – e digo isso sem qualquer espécie de preconceito – da nos­sa população mais pobre, menos escolarizada e mais atingida pelos 14 milhões da nossa taxa de desem­prego.

É um momento que aba­la e enfraquece também uma multidão de micro, pequenos e médios empre­endedores que – podem até ter cometido seus peque­nos pecados na vida, mas nunca compraram e nem pagaram mesada pra polí­tico nenhum em troca de uma medida provisória ou de uma obra superfatura­da.

Sinto muito, senhores, mas não somos todos ca­nalhas. Tem muita gente exercendo sua profissão neste país de uma forma decente. Essa é a moral da história da opinião de mui­tos dos nossos mais admi­rados colegas de Imprensa, aquela que só faz o seu pa­pel se for Independente.

Tenha um Bom Dia!