Mais uma pedra no caminho de João Cury

Redação Diário | Diário Botucatu
João Cury disse em nota oficial que vai prestar todos os esclarecimentos necessários

Ao mesmo tempo em que prepara as bases de sua candidatura a deputado federal em 2018, o ex-prefeito de Botucatu, João Cury Neto (PSDB) vai ter que ser eficiente no campo jurídico para garantir que atuou com retidão no comando da prefeitura que governou por oito anos e que lhe serviu de trampolim para novos horizontes na politica estadual e nacional.

Seu desafio agora é o de não permitir que, tanto o processo envolvendo a compra de material didático da Sangari (R$ 9 milhões) – como o bloqueio de bens autorizado liminarmente pela Justiça por irregularidades identificadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP) em uma compra de massa asfáltica (R$ 2,7 milhões) – possam atrapalhar, comprometer ou mesmo adiar seus arrojados e bem amarrados planos político-eleitorais de curto prazo.

Os dois casos aconteceram em 2009, o ano em que ele tomou posse, logo depois de se eleger (em 2008), naquela que foi uma campanha repleta de bons debates, adrenalina forte nas ruas, denúncias de compra de voto – e que também marcou o ressurgimento do PSDB na cidade retomando a prefeitura do PT depois de oito anos – quatro deles sem ter sequer um vereador eleito para a Câmara Municipal.

Naquela campanha, o filho mais velho do falecido ex-prefeito Antonio Jamil Cury começou como um azarão, poucos apoios e apenas míseros 4% nas pesquisas de opinião. Saiu das urnas três meses, depois com 54% dos votos.

Venceu bonito – em uma virada sem precedentes na história das eleições municipais – os três favoritos daquela disputa: o candidato do PT, Valdemar Pereira de Pinho (que era vice-prefeito de Mário Ielo), o empresário Lourival Panhozzi (DEM) – que havia sido o candidato mais votado para deputado federal em 2006 – e o engenheiro Milton Bosco, outro ex-vice-prefeito, que se candidatou pelo Partido Verde (PV).

O resultado foi um verdadeiro tsunami representado pela vontade popular. Era uma nova geração de políticos assumindo o comando da cidade dos bons ares e das boas escolas, querendo recuperar o tempo perdido.

Ao longo de seus 8 anos de mandato, com uma reeleição no meio (2012), onde aconteceu uma vitória política significativa contra Mário Ielo (PT), que tentava voltar ao poder, João Cury ainda carimbou seu prestígio como liderança política emergente da região, ao cacifar, articular apoios e eleger em 2014 o irmão mais novo, Fernando Cury (PPS), como deputado estadual. Na mesma campanha, também foi coordenador político da campanha de Aécio Neves (PSDB) à presidência da República no interior paulista.

SERGIO VIANA / NOTÍCIAS.BOTUCATU
João Cury nas eleições de 2014, em Botucatu: com Aécio, Alckmin e José Aníbal

Em 2016, acontece o golpe de misericórdia contra o adversário local Mário Ielo (que havia trocado o PT desgastado, pelo PDT menos contaminado pelas denúncias de corrupção), que foi derrotado nas urnas por Mário Pardini, o homem que João Cury tirou de dentro da Sabesp, com as bênçãos do governador Geraldo Alckmin, para sucedê-lo na prefeitura.

Com todo esse retrospecto vitorioso em sua curta trajetória de doze anos na política, João Cury agora também vai depender de seu sucesso nos tribunais para garantir – ou não – sua popularidade nas ruas.

Em Botucatu, por onde passa, João ainda é tratado como o filho do Jamil: talvez ambos sejam os políticos mais queridos da história da cidade nos últimos 50 anos. João Cury vai ter que ficar bem atento, para continuar sendo.

Até porque agora não é mais um menino vendendo esperança para uma cidade em busca de um líder. Hoje ele é considerado uma das lideranças políticas mais promissoras dentro do PSDB paulista, tendo atuado em diversas instâncias partidárias.

Agora também está metido em briga de cachorro grande do ponto de vista regional, em seu enfrentamento com o grupo do deputado Milton Monti, com quem pretende definir em 2018 quem manda na geografia político-partidária da região a partir de 2019.

Em Botucatu, a mais bela cidade do interior paulista, muita gente vai ficar triste se o ministério público tiver razão e a Justiça confirmar o que autorizou liminarmente. Aqui, a torcida por ele sempre foi grande. E vai continuar sendo, em diversos segmentos da sociedade.

Para a metade azul da cidade, João Cury é muito melhor que João Dória, o seu xará da capital, só pra ter uma ideia do tamanho da torcida por esse jovem de 43 anos que Botucatu escolheu como o seu político predileto.

Foi difícil para a cidade mastigar essa notícia em pleno final de semana do Dia dos Pais. João Cury sempre foi um político que tocou o coração das pessoas que acreditaram nele. Nunca pareceu ser um político como tantos outros. Tomara que a cidade tenha razão.

E que Justiça seja feita.
Tenha um bom dia.

NOTA OFICIAL DO EX-PREFEITO,
JOÃO CURY NETO (PSDB)
DIVULGADA PELA ASSESSORIA NA MANHÃ DO ÚLTIMO SÁBADO, 12 DE AGOSTO.

Redação Diário | Diário Botucatu

“Ainda não tive acesso ao inteiro teor do processo. Até o momento, o que sei relacionado ao caso em questão, é o que está sendo veiculado através da imprensa. A partir do levantamento das informações e do conhecimento das acusações poderei me manifestar, apresentando todos os esclarecimentos necessários”.
Atenciosamente
João Cury Neto