A lei do mais forte

Redação Diário | Diário Botucatu

 

Donald Trump parece querer dominar o mundo no grito, mas não descarta o uso da força. O presiden­te americano pode acabar provando que todo mundo tem um preço. Se houver alguém que puder pagar, esse é o sempre caro preço da guerra.

Mas também pode ser o preço da paz, se todas as bravatas e ameaças do atual morador daquela im­ponente casa branca que fica na Avenida Pensilvâ­nia, em Washington, forem apenas uma forma de abrir novos caminhos e merca­dos para as grandes corpo­rações globais da terra do Tio Sam.

Os inimigos, aqueles que são escolhidos como vítimas, são sempre os mesmos. Para justificar que se torre dinheiro e vi­das humanas só é preci­so que um homem com o poder quase ilimitado de Trump, aponte o dedo em uma direção. E “boom”.

A indústria bélica só encontra os meios de pros­perar e se desenvolver quando conseguir testar e atestar, em ambiente real, a eficiência de suas novas e arriscadas tecnologias. É como qualquer indústria, de qualquer setor da eco­nomia. A única diferença é que seus produtos des­troçam vilas, cidades e até nações no simples apertar de um botão.

A Guerra contra o Terror é hoje a maior oportunida­de de negócio dos fabrican­tes e vendedores de armas. A cada tiro, a cada míssil, a cada bomba lançada, é pre­ciso repor imediatamente o estoque com uma nova carga de produção. Este setor da economia prefe­re as guerras longas, que proporcionam a segurança de um faturamento médio e constante a longo prazo, do que as ações militares curtas, que só servem para queimar o estoque de ex­plosivos que já estava mais próximo da data de venci­mento. Nem vale a pena. Uma guerrinha assim se faz com amostras grátis.

O terrorismo hoje pos­sui até editorias especiali­zadas na maioria dos nos­sos jornais e telejornais. É sinal que dá audiência. E Trump sabe disso. Que o que ele diz, reverbera mun­do afora, prende a atenção – e a respiração de muita gente – em todos os conti­nentes.

Aqui na América Latina, a gente já aprendeu a res­peitar tanto a história de lutas e conquistas do povo americano, como a rica experiência vivida com a revolução socialista, pelo povo cubano. Neste peda­ço das Américas que fica abaixo da linha do Equa­dor, não achamos que so­mos melhores ou piores do que aqueles que vivem em outros continentes e já passamos da fase de achar que a guerra fria e ideoló­gica dos Anos 60 do século 20, cabe ainda aqui, prati­camente nos anos 20 do século 21.

Apenas enxergamos com clareza que é essa diversidade de povos, cul­turas, ideias e nações, que faz de nós todos, respon­sáveis pelos caminhos da humanidade neste contem­porâneo mundo conecta­do. O resto é prepotência de superpotência baseada na Lei do Mais Forte. Ou mais um daqueles casos de insanidade completa de uns ditadorezinhos bara­tos querendo mostrar para os EUA que tamanho não é documento. Mas é.