Já que é para dizer…

No futebol existe uma regra que pode dar solução definitiva à crise política

futebolDébora Prado | Diário Botucatu

É a “bola pra cima” a melhor solução para o momento político instável e complexo vivido pelo país. A regra diz que os times poderiam disputar a bola toda vez que ocorra uma dúvida na interpretação de um lance por parte do árbitro. No esporte mais popular do mundo, nessa hora os jogadores do time que sabe que não tem razão, muitas vezes recuam e permitem ao outro sair jogando tranquilamente.

Na política pode acontecer a mesma coisa. Na hora que a bola for jogada pra cima, pode ser que alguns jogadores prefiram não entrar na bola dividida, pode ser que alguns partidos resolvam deixar fora de campo alguns craques que estão sob a suspeita séria de contaminação por uma espécie de doping corruptivo, o que seria uma decisão nobre e inteligente.

Eu digo isso porque tá na cara que o pessoal não vai sair das ruas enquanto essa história não tiver uma definição. Por enquanto, as bandeiras ainda são esmagadoramente dos partidos, centrais sindicais e movimentos sociais que davam sustentação aos governos Lula e Dilma. Mas já tem muita gente sem partido nessa gritaria Fora Temer.

Só não vê quem não quer. É muita gente mesmo. Que não está nem um pouco preocupada com bandeira azul ou bandeira vermelha, como se um lápis de cor fosse suficiente para definir o lado certo e o lado errado nessa crise incontrolável. Aliás, se quem está organizando os protestos do Fora Temer – e por Diretas Já – arrancar das ruas as bandeiras que lembram partidos e organizações da esquerda indignada, vai descobrir que a multidão triplica.

O povo não quer partido, o povo quer sentido. E faz sentido para qualquer cidadão com o mínimo de visão de país, remar a favor da única solução que parece ser definitiva: escolher pelo voto direto um novo governo e fazer o país inteiro assumir sua responsabilidade como sociedade. Fazer valer o que o Brasil quer como maioria, não o que a maioria dos caciques deseja para salvar a própria pele.

É saída mais lógica para virar a página desse redemoinho que não para de levantar poeira na cara da gente. E vai dar a oportunidade para que todas as correntes partidárias possam lavar sua roupa suja em público para tentar convencer o país sobre que tipo de política cada uma delas representa.

Está todo mundo tão perdido que até a Polícia Militar está estressando com vendedor ambulante de cerveja e refrigerante no meio do movimento e pagando mico grosso em plena Avenida Paulista. Por pouco aquela ação desproporcional não acaba em tragédia, o que é tudo que a gente não precisa. O corpo de uma vítima estendido no asfalto.

Tenha santa paciência, né gente?! É a mesma coisa que apreender os sonhos da Preciosa, em plena Rua amando de Barros, no meio do desfile de Sete de Setembro. Vai dar confusão na certa. Tem dia que não é dia de encher o saco de quem só está defendendo com seu trabalho o suado pão de cada dia. Tem dia que é melhor compreender o contexto.

A cena de domingo – que teve até uns empurrões no bom e velho Eduardo Suplicy, que tem credibilidade para olhar no olho de qualquer PM e de qualquer político desse país – tomou conta das redes sociais, mas não teve qualquer destaque no noticiário político da TV aberta. Só não foi totalmente hilária porque o risco de alguém sair bem machucado ou até ferido à bala, foi maior do que a piada.

Entrar no meio de um protesto de rua, bem embaixo do caminhão de som, para apreender na frente de todo mundo uma irrelevante caixa de isopor com latinhas de cerveja e refrigerante dentro, foi um exagero sem precedentes na nossa atrapalhada polícia paulista. Alguém precisa admitir a falta de um pouquinho de inteligência da PM naquele momento.

Aliás, a PM paulista está virando especialista em arrumar confusão em protesto pacífico, tranquilo. Está faltando visão. O engraçado é que a corporação raramente está por perto quando acontece uma daquelas confusões bravas – e os atos de depredação causados por aqueles meliantes encapuzados – que um monte de imbecis da esquerda e da direita idolatra como se fossem heróis.

O que não dá é pra negar a realidade, querer tapar a única possibilidade de luz no fim do túnel com uma peneira velha, toda estropiada.  Do jeito que está não dá pra imaginar uma solução, uma direção, uma saída. Esta na hora da gente parar de bater panela e sacudir bandeira e começar a trabalhar rápido para reerguer o Brasil. Senão a coisa vai ficar cada vez mais cinza, cada vez mais cinzenta. Porque preta já está faz tempo. E desbotando bem rápido. #COMTODASASLETRAS