A “IGREJA” CAMPEÃ DE DÍZIMO NO BRASIL.

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E quem carrega a “cruz”, é o eleitor brasileiro.

Hoje é dia de falar de uma igrejinha diferente: que tem várias congregações, pequenas capelas e alguns terreiros férteis para torrar dinheiro público. Inclusive na sua cidade. E na minha. Ela possui pelo menos 600 mil diáconos colaboradores esparramados na estrutura do governo federal, nos 27 estados e nas quase seis mil prefeituras municipais.

É a Igreja dos Padrinhos Políticos.

Que nomeia quem sustenta a perversa e cara lógica que custa R$ 3,5 bilhões mensais para os brasileiros apenas com os 113 mil cargos de indicação política na estrutura do governo federal, sem contar os estados e os municípios.

Ah! E não é porque está faltando gente na máquina do governo: 1 milhão de servidores públicos federais estão à disposição por concurso público. Mas parece que é preciso mais gente para tocar os projetos paralelos, que não tem nada a ver com a qualidade de vida dos brasileiros, com nosso amadurecimento como nação e com o nosso progresso como economia forte, socialmente equilibrada, sustentável e competitiva no mercado mundial.

UMA MÁQUINA DE FAZER DINHEIRO “JORRAR” NOS “PODRES” PARTIDOS
Outro detalhe importante: quem encaminha as indicações para os cargos que não precisam de concurso são os homens e as mulheres que comandam os partidos políticos, as instituições que os “políticos” criaram para se esconder atrás delas, quando são flagrados fazendo alguma coisa que parece errada mas possui uma lei que permite o encaixe da ideia.

Aí, quando nossos líderes políticos são cobrados por essa gastança desenfreada, tentam justificar a necessidade e a fundamental importância dessa pesada estrutura para o bom exercício da atividade política.

É exatamente por isso que a maioria dos nossos políticos tradicionais parece estar contra a parede, quando precisa dar satisfações indigestas para a sociedade: coisas tipo despesas de campanha, caixa 2, caixa geral de distribuição dos bilhões do fundo partidário, a lógica das emendas parlamentares, o tráfico de influência que deixa rastros, etc…

É pra isso que você paga tanto imposto?!

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OS NÚMEROS DA CONGREGAÇÃO DOS PARTIDOS
Um relatório feito recentemente pelos técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU) mostra uma parte dessa contabilidade dos “cargos de confiança”:

São 113 mil apenas da estrutura do governo federal. Custam para os brasileiros R$ 3,5 bilhões de reais por mês, cerca de R$ 40 bilhões por ano. Representam – apenas os apadrinhados que estão na folha de pagamento – 35% dos gastos com o funcionalismo público federal, hoje próximo de R$ 10 bilhões mensais.

Dos 113 mil, pouco mais de 30 mil são filiados a partidos políticos. Os outros 80 mil, fazem pose de perfil técnico, aqueles que fazem as regras das licitações, fazem os processos de liberação de recursos caminhar, articulam os esquemas para definir para onde vai o dinheiro em troca de votos na próxima eleição, a famosa “amarração política”.

E mais: dos 278 órgãos federais, em 65 deles, 50% dos funcionários são nomeados por indicação política. Nos cargos de confiança também estão pessoas concursadas e que recebem salário (mais gratificação) por ocupar postos de chefia, atendendo aos interesses – que podem ser republicanos ou não – do grupo político que garantiu a canetada e a publicação da nomeação no Diário Oficial da União.

No Poder Legislativo – 60,9% dos cargos são ocupados pelos “indicados” de confiança, os chamados “comissionados”, sem qualquer tipo de trocadilho barato. No Poder Judiciário, 56,9% dos servidores são nomeados politicamente.

São mais 105 mil servidores e “aspones” pendurados nas estruturas dos governos estaduais e – pasmem – o problema maior está na ponta da linha: nos municípios brasileiros, onde 489 mil pessoas – neste momento de reciclagem de valores e princípios da sociedade brasileira como nação livre e independente – contratados sem concurso nos 5.700 municípios brasileiros.

O interior paulista não é uma exceção. Lidera o ranking: Apenas nos municípios paulistas o número chega a 57 mil “amigos de alguém” recebendo um holerite em troca de um trabalho incessante para um projeto político: aquele que paga seu salário no final do mês. Nos municípios do Rio de Janeiro são 42 mil e as cidades da Bahia comportam 41 mil cargos sem concurso em suas prefeituras.

O Rio já quebrou. A Bahia segue no mesmo caminho. E São Paulo precisa acordar.


Tenha um bom dia.

Independente da Igreja, da Quadrilha, do Partido ou da Confraria onde você entrega o dízimo da sua renda cidadã. E mais um detalhe, pra guardar na memória: em 2015, uma pesquisa do IBGE descobriu que 74% das cidades brasileiras só usam indicação política para nomear diretor de escola pública. O diretor amigo do prefeito, amigo do vereador, filiado ao partido, fazendo campanha eleitoral na maior cara dura dentro da escola. Tá cheio de exemplo assim em qualquer cidade. Até na sua. É a fé, movendo montanhas de dinheiro. Muita gente pagando “dízimo” por dentro e por fora pra partido político que não representa absolutamente nada. Pelo menos, quase nada de bom para o conjunto da sociedade.

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