Hábitos e Manias nos Bastidores do Poder: As verbas públicas e os que Recebem títulos de cidadão

Redação Diário | Diário Botucatu

Uma leve passagem pelos arquivos das nossas Câmaras Municipais do interior paulista mostra que os Títulos de Cidadão que são propostos pelos vereadores para homenagear pessoas estão sendo gastos, em sua maioria, para fazer média com os políticos de outros lugares que interessam para os políticos locais.

Deve ser mais ou menos assim em qualquer lugar do país. É a classe política trabalhando pelo prestígio da classe política. Bem provável que na sua cidade este tipo de homenagem também se repita sem tanto critério, ou pelo menos com critérios que muitas vezes a comunidade não consegue compreender muito bem.

É mais ou menos assim. Se o deputado tal manda – ou  melhor, diz que mandou, porque o dinheiro é público – uma verbinha federal ou estadual pra cidade, passa a ser merecedor de tal honraria. E mandar uma verba, muitas vezes, não passa de uma forma de abrir as portas para ter seu nome reconhecido como alguém que ajudou a cidade. Uma conta que normalmente é paga em votos, na eleição seguinte.

Ninguém quer saber quem é o cara, o que ele pensa, as ideias que defende, as posições políticas que possui, ou as acusações de corrupção que carrega nas costas. O que importa é que ele ajudou – ou prometeu ajudar – a cidade em uma questão qualquer, indicada por um vereador que é do partido dele ou recebeu sua ajuda na campanha municipal.

Tem muita gente soltando rojão pelo interior afora pra fazer festa pra políticos que a gente só vê a cara quando chega a hora da eleição pra deputado. É quando o vereador, que deu o Título de Cidadão, volta pra cobrar a conta de seus incautos eleitores de carteirinha. Aqueles, que ele manipula de acordo com suas próprias conveniências, porque lhe devem favores.

E todo mundo fica feliz. Porque a política é assim mesmo. Desde sempre, como diz a sabedoria parlamentar: é dando Título que se recebe Verba. Em alguns lugares, como às vezes mostra o noticiário, até no trato entre o deputado e o vereador sobre o valor da Homenagem no acordo entre os dois. Onde tudo tem um preço, como na política brasileira, sempre pode sobrar um cascalho em cima da mesa.

Veja também: