GOVERNO DE SP: O TESTE DE FOGO DO PSDB EM 2018

Redação Diário | Diário Botucatu

O TESTE DE FOGO DO PSDB EM 2018

Invicto em São Paulo nas últimas seis eleições para governador, mas tendo sua postura  questionada pelo seu eleitor mais fiel, ideológico e tradicional, o partido que vai completar quase duas décadas e meia no comando do estado mais rico do país vive seu momento de reflexão interna mais dolorida.

O dilema:

Ser fiel aos princípios e ideias que o fizeram ter a simpatia do eleitor paulista, ou continuar caminhando para trombar com a própria história, se aproximando de vez do velho PMDB de São Paulo e do Brasil – e sofrendo interna e externamente todas as consequências dessa escolha.

OS PRÉ-CANDIDATOS

 

PSDB

– SERRA E ALOYSIO SERIAM OS NOMES NATURAIS. DÓRIA E DAVID UIP SURGEM COMO NOVA GERAÇÃO

–Depois de Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra terem se revezado durante 24 anos como moradores do Palácio dos Bandeirantes, o PSDB paulista se prepara para seu maior desafio. Não deixar que os escândalos que respingam em algumas de suas principais lideranças, possa comprometer o desempenho eleitoral do partido em 2018, quando vai tentar permanecer no comando do Governo de SP.

Alckmin já admitiu sua disposição de disputar as eleições presidenciais. Ao contrário de Aécio e Serra, a Lava Jato passou pelo governador paulista de ladinho, dentro de uma linha, que pelo menos até agora, ainda dá para se manter no jogo, ao contrário dos estragos que provocou no colega José Serra, e no mineirinho Aécio Neves, estes bem abatidos pelas investigações.

Os tucanos paulistas provavelmente vão realizar, pela primeira vez, eleições primárias para escolher seus candidatos, como prevê seu estatuto. Um movimento neste sentido já está sendo organizado nas instâncias internas do PSDB paulista. Diversos prefeitos do interior e deputados estaduais e federais já defendem as “prévias” como uma necessidade.

Se isso acontecer, diminuem as chances também do senador Aloysio Nunes Ferreira, que só conseguiria se impor como candidato ao Governo do Estado num acordo entre os tucanos de bico grosso – que talvez neste momento prefiram não correr o risco de enfrentar mais uma revolta interna, que poderia fragilizaria demais o partido.

Nesse cenário, o nome do prefeito paulistano João Dória Júnior aparece como favorito, num acordo que também acomodaria seu vice, Bruno Covas, como prefeito da capital, ainda com a possibilidade de ser candidato à reeleição em 2020. Outro nome que vem sendo citado nos bastidores tucanos como alternativa  é o do Secretário da Saúde David Uip, um nome de prestígio em sua área profissional, que não teria nenhuma possibilidade de ser chamuscado pelo noticiário da crise política.

Redação Diário | Diário Botucatu

E QUEM QUER TIRAR O PSDB DO PALÁCIO DOS BANDEIRANTES? 

PMDB

– PAULO SKAF E MARTA SUPLICY SÃO AS OPÇÕES

– O presidente da Fiesp Skaf foi candidato a governador em 2014 e disputou o segundo turno com Alckmin. Perdeu a eleição, mas não perdeu a pose. Não parou de gastar dinheiro em propaganda pessoal no horário nobre. Seria uma aposta no recall do eleitor. Mas hoje seu estilo personalista é bastante questionado até dentro da própria Fiesp, que está refletindo sobre a necessidade de mudar seu perfil como instituição. A Federação das Indústrias do Estado de SP foi contaminada pela política partidária e pouco atuou como entidade de classe empresarial de peso nos últimos anos. Virou o comitê político das intenções de Skaf.

A ex-prefeita da capital e hoje senadora Marta Suplicy é outro nome que pode disputar o Governo de SP em 2018. Depois que saiu do PT de Lula e foi para o PMDB de Temer ela perdeu um pouco de identidade, mas continua tendo uma imagem que pode dar chances ao partido de tentar chegar de novo ao segundo turno. Dura a situação do PMDB Paulista. Vai ter que carregar no período eleitoral a pecha de “partido do Temer”.

PT

– FERNANDO HADDAD, LUIZ MARINHO E, QUEM SABE, SUPLICY

– Haddad (ex-prefeito da capital) e Marinho (ex-prefeito de São Bernardo do Campo, no ABC) são os preferidos da cúpula partidária. Como os dois foram governantes de cidades estratégicas para o PT, são os mais umbilicalmente ligados à cúpula partidária, que vai querer dar um bom palanque para Lula, se ele puder ser candidato a presidente em 2018.

Mas na base partidária muita gente considera que o velho Suplicy pode acabar sendo carregado nos braços pela militância petista e que seria uma novidade interessante. Poderia se encaixar bem no novo perfil de político que a classe média vai voltar a buscar como referência, independente de partido político. Com história limpa, sua presença ajudaria a aprofundar o debate ético-político durante a campanha eleitoral paulista.

Redação Diário | Diário Botucatu

PSB

– MÁRCIO FRANÇA VAI SER GOVERNADOR ANTES DA ELEIÇÃO

– O vice-governador paulista pode virar governador no segundo trimestre de 2018, se Alckmin se afastar do cargo para poder ser candidato a presidente. No cargo, só teria uma possibilidade: ser candidato à reeleição e se tornar um dos adversários do PSDB. Seu sonho é trocar o apoio do PSB Nacional a Alckmin, pelo apoio do PSDB de SP a sua candidatura a governador. Hoje, isso parece ser sonhar alto demais. Mas em tempos de Lava Jato, tudo pode acontecer.

“SURPRESAS” PODEM VIR DE TODOS OS LADOS

Enquanto os partidos tradicionais se esforçam para sobreviver em meio à crise política, aquelas dezenas de siglas que fazem parte da sopa de letrinhas da política nacional, também já começam a se movimentar.

Partidos como PSOL e REDE, por exemplo, também devem lançar candidatos a governador, pelo menos para marcar posição. E nunca se sabe como estará o nível de indignação do eleitor quando chegar a hora de depositar seu voto na urna em outubro de 2018, isso se as eleições não forem antecipadas, por força da pressão da sociedade.

Num cenário como esse – e sem a dinheirama que entupiu os partidos tradicionais nas últimas décadas – tudo pode acontecer. Praticamente todos os personagens que hoje aparecem como possíveis ou prováveis candidatos a governador, são de alguma forma vinculados ao sistema que está aí.

Uns, com uns pecados a mais. Outros, os pecadores comuns, daqueles que fazem algumas coisas do jeito que, na política brasileira, se convencionou que não tinha outro jeito. Sem dinheiro, ninguém nunca ganhou eleição neste país. E dinheiro, sempre vem de algum lugar.

Veja também: