Golpe de Mário Ielo foi frio, calculado.

Redação Diário | Diário Botucatu
Tendo ao fundo o ex-deputado estadual Milton Flávio (PSDB): uma relação política difícil, que nunca prosperou

Na sua fala cada palavra é pensada, ensaiada, refletida. No fundo, Mário Ielo parece querer ver em João Cury um adversário que faz dele próprio, alguém maior do que realmente é. Não perderia jamais uma oportunidade de mostrar que é o outro lado, num momento em que a razão do adversário é questionada judicialmente, com ampla publicidade no noticiário.

Durante sua trajetória político-eleitoral que teve início em 1.996, há 21 anos, Ielo também já sofreu na pele as acusações e desconfianças provocadas por argumentos e afirmações de seus adversários. Sua vida também já foi invadida por insinuações maldosas em vários aspectos: teve até aviãozinho jogando panfletos apócrifos contra ele sobre a cidade, na campanha do ano 2.000. Uma maldade imbecil que até hoje não tem autor definido.

Durante seus oito anos de mandato como prefeito (2001-2009), Ielo também teve em alguns momentos também – não foram muitos – aspectos de sua contabilidade governamental e dos contratos firmados com empresas que venceram licitações, questionadas pela Imprensa, pelo Tribunal de Contas e pelo Poder Judiciário.

Aliás, dificilmente um prefeito sai do mandato sem uns rabinhos jurídicos pra consertar, nesse país onde as regras mudam a todo momento. A maior parte deles – vale para a maioria – é assessorada por pessoas que podem até ter muita boa vontade e compromisso político.

O fato é que muitos dos amigos e parceiros nomeados ocupam cargos para os quais não foram capacitados para atuar como dirigentes. Suas nomeações fazem parte do que se chama de compromisso político, o que sempre acaba fazendo com que o governo seja montado em cima de pessoas que atuaram na campanha, muitos deles sem a experiência necessária para atuar como servidores públicos, nos cargos de confiança que ocupam, naturalmente.

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Com Milton Monti (PR), teve uma parceria mais harmônica, que se esvaziou quando ele deixou de ser prefeito da cidade

Agora vivemos um momento invertido, em que é João Cury que está tendo que explicar. E o tucano precisa por na cabeça que vai ser cobrado pelos adversários com a mesma ênfase com que acusou, quando o telhado de vidro estava em cima da cabeça do marido da vereadora Rose.

Neste momento da história contemporânea é a João Cury Neto que cabe este papel, que gera alguns incômodos, evidentemente. Ter que explicar o que fez daqui para trás, não é das mais agradáveis tarefas para um político. Político prefere falar do que enxerga no caminho que vem pela frente. O passado muitas vezes tem algo que palavras não são suficientes para justificar.

Vale para João Cury. Mas também vale para seus bons rivais, como Mário Ielo. Dele também, muitas vezes foi difícil arrancar respostas claras para assuntos indigestos, como em nossos memoráveis embates entre jornalista e prefeito, logo que ele assumiu a prefeitura e aquelas empresas estranhas – que faziam parte da rede de fornecedores especiais das prefeituras do PT – começaram a aparecer por aqui, substituindo alguns dos antigos fornecedores da gestão anterior.

Já foi muito mais conveniente para Mário Ielo, assim como é hoje para Milton Monti e João Cury, divulgar uma nota oficial através de assessoria de imprensa, que sabe melhor que os políticos o significado de cada palavra que será ouvida pela opinião pública.

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