Geraldo Alckmin: o mais mineiro dos políticos paulistas

Sofrendo na pele os efeitos do furacão Bolsonaro, que morde uma parcela significativa do eleitorado que vinha sendo fiel ao PSDB nas últimas seis eleições até mesmo dentro do estado de São Paulo, o ex-governador de SP mantém aparente tranquilidade, mas sabe o tamanho do desafio que tem pela frente.

Pedro Manhães

Análise Política & Sociedade

 

Com seu jeito zen, o homem que por mais tempo governou o estado de São Paulo, parece não se importar muito com o fato de estar em quarto ou quinto lugar nas principais pesquisas de intenção de voto. A candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) patina para crescer até mesmo no estado que governou por 14 dos 18 anos que fazem parte do século 21.

Apesar disso, o ex-governador paulista, deixa claro por sua postura e movimentações nos bastidores, que seu jogo é comer pelas beiradas. Sua prioridade, neste momento, continua sendo a de tentar consolidar um arco de alianças que lhe garanta musculatura nacional e um expressivo tempo no horário eleitoral gratuito de rádio e TV.

O problema é que enquanto estiver abaixo dos dois dígitos, mais afasta do que aproxima possíveis aliados. No frigir dos ovos, mesmo que conquiste o apoio das legendas em nível nacional, isso não garante o ânimo, o compromisso e a fidelidade das complicadas, fisiológicas e descompromissadas bases partidárias pelo Brasil afora.

Poucos são os candidatos a deputado estadual, federal, senador e governador dispostos a associar sua imagem a um candidato que oscila entre 6 e 8% nas principais sondagens eleitorais. Isso não parece incomodar o presidenciável tucano, um homem de gestos comedidos, fala mansa e uma tranquilidade considerada por muitos como  irritante.

O fato é que restam praticamente 11 semanas semanas para as eleições de 7 de outubro. Um tempo curto demais para os que ainda torcem por uma reação, mas longo o suficiente para quem, como Alckmin – com seu jeito “mineiro” de Pindamonhangaba (SP) – acredita que uma escada se sobe devagarzinho, degrau por degrau, um passo de cada vez.

Para ter chance de ir para o segundo turno o tucano precisa crescer pelo menos 1 ponto percentual por semana. Se vai dar certo ou se vai ter mico, quem vai responder são as urnas. Mas uma coisa é certa: o caminho está bem mais cheio de mistérios e obstáculos do que qualquer tucano experiente poderia imaginar quando a corrida começou.

Se não crescer logo, Alckmin corre o risco de murchar ainda mais, porque o eleitor brasileiro tem mania de voto útil. Na hora do funil, descarrega em quem tem mais chance de chegar ao segundo turno, mesmo que seja a segunda ou terceira opção, provocando uma avalanche capaz de tirar do mapa até mesmo alguns grandes vencedores de eleição.