GERALDO ALCKMIN E OS ÚLTIMOS CINCO MESES DE GOVERNO EM SP

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Geraldo e Lu Alckmin: o casal que morou mais tempo no Palácio dos Bandeirantes

Se os tucanos apostam em  nomes novos para reciclar e renovar a base partidária, os nomes novos apostam nas prévias (eleições internas previstas no estatuto do PSDB) para se legitimar como alternativa e impedir que, mais uma vez, o partido tenha seus candidatos majoritários (presidente, governador e senador) definidos em uma conversa entre quatro paredes por suas principais lideranças.

O partido, que em 2018 vai completar 24 anos no comando do estado de SP, tenta prorrogar seu poder paulista até 2022. O start de toda essa estratégia nova na plataforma política do PSDB só deve acontecer apenas depois que ficar definido quem é que manda no partido em nível nacional. Uma briga que atrai todos os holofotes da mídia e será crucial para definir como ficam as cartas do baralho da sucessão paulista e brasileira.

O grupo do senador mineiro Aécio Neves – umbilicalmente ligado ao Governo Temer – prefere o governador de Goiás Maconi Perillo como presidente nacional do PSDB. O grupo do governador Geraldo Alckmin – que defende desde o início do ano o afastamento do PSDB do governo federal – aposta suas fichas numa vitória do senador Tasso Jereissatti, ex-governador do Ceará, que já abriu sua caixa de ferramentas contra os tucanos próximos demais da lógica política do governo do presidente Michel Temer.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defende que Geraldo Alckmin assuma a presidência nacional para pacificar o embate entre os dois grupos que pensam diferente: mas a ideia não deve prosperar. A disputa deve ser mesmo no voto: haverá vencidos e vencedores no ninho tucano.

Geraldo Alckmin já descartou inicialmente a possibilidade de assumir a presidência do partido. Seu foco é ser presidente da República, não quer comandar um partido cheio de feridas internas e ter que administrar relacionamentos entre os caciques, enquanto faz pré-campanha pelo país e se prepara para deixar o governo de SP nas mãos do vice-governador Márcio França (PSB), a partir de abril do ano que vem.

A partir de agora, restam menos de cinco meses para o governador de SP voltar a morar no pequeno apartamento que possui na capital e deixar a ala residencial do Palácio dos Bandeirantes, onde é o mais longevo morador da história: quase uma década e meia. Com um único intervalo (2006-2010), quando José Serra governou o Estado e Alckmin ficou sem mandato político por ter perdido a disputa presidecial.

O atual governador paulista mudou para o Palácio dos Bandeirantes em 2001, logo depois da morte do ex-governador Mário Covas (em 2001), se reelegeu para um novo mandato em 2002 e governou o estado até 2006, quando se desincompatibilizou nove meses antes do término do mandato para ser candidato a presidente da República.

Disputou o segundo turno com Lula (PT) – no auge das denúncias do mensalão petista – mas foi derrotado pelo petista de goleada. Teve menos votos no segundo turno do que no primeiro turno. E ficou com um espinho atravessado na garganta.

Em 2010, Alckmin inverteu de posição com Serra. Voltou a ser candidato a governador de SP e foi eleito novamente. Enquanto Serra foi derrotado por Dilma Roussef no segundo turno das eleições presidenciais. Em 2014, Alckmin teve uma reeleição tranquila e agora, doze anos depois, parte para sua sonhada revanche contra Luís Inácio Lula da Silva (PT), que já está em campanha pelo país defendendo suas teses e posições.