A escolha da equipe vai dizer muito sobre a lógica dos novos prefeitos

Editorial de Pedro Manhães sobre as escolhas dos novos prefeitos

 

Nesta segunda quinzena de outubro começam – nas cidades que elegeram novos prefeitos nas eleições deste ano – as movimentações sobre a composição dos governos municipais, que tomam posse no dia primeiro de janeiro com enormes desafios pela frente.

Os eleitos, que já tiveram alguns dias para comemorar a vitória e descansar o corpo e a mente depois de uma campanha exaustiva, agora se voltam para os bastidores, com o objetivo de fechar e formalizar os nomes que vão fazer parte do primeiro e do segundo escalão.

Em uma campanha onde os não-políticos em muitas das médias e grandes cidades, levaram nítida vantagem sobre os políticos tradicionais, chegou a hora de mostrar que as novidades são mesmo diferentes e que foram uma escolha acertada por parte do eleitor.

A maioria dos debutantes em eleições chegou à vitória com o apoio dos políticos tradicionais e suas redes de partidos acoplada ao projeto. Foram raros os que realmente representam fazer parte de um projeto político novo, sem muita vinculação com a panela que envolve os principais partidos e lideranças locais.

O desafio destes novos prefeitos agora é mostrar que podem mesmo representar algo diferente em termos de gestão e forma de exercer o comando das prefeituras, muitas delas transformadas em verdadeiros cabides de emprego para acomodar as alianças que garantiram a estrutura necessária para vencer as eleições.

A pressão vai ser enorme de todos os lados. Os compromissos assumidos em troca de apoios agora vão chegar em cima da mesa em forma de cobrança por cargos e espaços de acomodação de interesses menores. Vai ser preciso ter muito jogo de cintura pra escapar dessa conta. Quase impossível.

O dever da sociedade, nestes momentos que antecedem a posse dos novos prefeitos, é o de ficar atenta, demonstrando que não vai permitir dessa vez que depois da vitória nas urnas o discurso de antes não combine com a prática política do momento pós-eleitoral.

É justamente nessa hora que é necessário envolver os conselhos municipais na discussão dos nomes e das prioridades que serão definidas para cada função nomeada por indicação política. Cada nome confirmado para fazer parte do governo é uma decisão política que mostra o compromisso ou o descompromisso com tudo o que foi dito antes da hora do voto.

Assim que as nomeações terminarem, olha bem para o conjunto. Observe atentamente quem são cada um dos personagens que o seu futuro prefeito escolheu para governar a sua cidade. É o time dele. São as pessoas em que ele confia. São as pessoas com quem ele combina.

Avalie cada nome com a sua própria régua para saber se o seu prefeito eleito se parece mesmo com o candidato que se apresentou durante a campanha ou se depois da eleição já arrancou a máscara de bom mocinho ou mocinha e voltou a vestir a fantasia original, aquela que mostra seu verdadeiro caráter e intenções.

De qualquer forma, ainda é cedo pra se arrepender do voto consciente que você deu na urna eletrônica. Mas fique atento e acompanhe o movimento. Ajude o seu prefeito a fazer escolhas que façam bem para a sua cidade. E não deixe que ele pense que você é apenas mais um trouxa que acreditou na historinha bonita que o marqueteiro contou. Faça valer sua vontade e o seu desejo de ter uma cidade melhor. #COMTODASASLETRAS