DISTANTE DO BRASIL, TEMER PERDE O APOIO DE 1 DEPUTADO POR HORA

Reprodução
Michel Temer e Vladimir Puttin durante encontro oficial na Rússia
Pedro Manhães – Editor DBPRESS

Em Brasília, começam a surgir os primeiros sinais fortes desse movimento que pode amolecer de vez as estruturas do Palácio do Planalto. Um conjunto de deputados e senadores, que até a semana passada fazia parte da base aliada, começa a atuar nitidamente de forma mais independente nos bastidores do Congresso Nacional.

Cada vez mais acuado pelas denúncias, o presidente pode ter que fazer contas para descobrir se ainda mantém a maioria parlamentar que tinha quando subiu no avião para se encontrar do outro lado do planeta, com Wladimir Putin – e dar uma passadinha na Noruega, que é um bom exemplo, um dos países com democracia mais amadurecida no mundo.

Dos quase 400 deputados federais com que contava em sua maioria tranquila, assim que tomou posse, na volta da viagem o presidente terá pouco mais de 250 – basicamente a turma ligada ao centrão fisiológico – mas em curva descendente. Esse pessoal não tem nenhuma vergonha de mudar de lado conforme percebem a força da ventania.

Já fizeram isso com Collor e com Dilma – de quem nem eram tão amigos assim – agora podem fazer o mesmo com Temer & Cia, companheiros de longa data na divisão do bolo, os líderes mais influentes dessa bancada que enxerga Brasília apenas como fonte de renda e obras que geram votos e recursos para suas campanhas sempre abastadas.

Enquanto decidem o momento mais interessante para largar o círculo do Presidente à própria sorte, esses deputados e senadores se descabelam tentando encontrar uma forma de aprovar uma lei que inocente o caixa 2 em campanha eleitorais. E nessa empreitada tem gente de todas as cores partidárias: do PCdoB lá naquilo que antigamente se chamada esquerda progressista até o PP, sempre lá na ponta direita, seguindo seu caminho.

O que eles querem é uma saída jurídica e política para que a maioria dos atuais parlamentares, que estão sendo investigados por terem recebido doações oficiais ou partidárias, com recursos provenientes das empresas investigadas na Lava Jato, possa partir em sua campanha pela reeleição em 2018, sem ter que se preocupar com um crime eleitoral que já foi cometido. E que pode ficar devidamente arquivado na história.

É a moeda de troca para entregar para o país a cabeça de Temer num prato de virado à paulista, na mesa onde está sentado o Procurador Geral da República, que até o mês de setembro atende pelo nome de Rodrigo Janot.  Depois disso, vai ser quem Temer quiser. Isso se ele ainda estiver sentado em uma cadeira, na frente de uma mesa, no terceiro andar do Palácio do Planalto, com uma caneta no bolso. Ou não?!

Veja também: