Chegou a hora de encarar nossas “feras” de frente

Sem perder a referência da bússola da “verdade”, do “equilíbrio” e da “responsabilidade”, como manda o manual do bom jornalismo: como se espera que conste no manual da boa política que praticaram até aqui. Sem poesia, mas entendendo os limites da regra do jogo

Redação Diário | Diário Botucatu

Não é fácil para qualquer jornalista, que escreve em um pequeno jornal diário do interior do Brasil fazer questionamentos para personagens políticos poderosos que ele conhece bem: ainda mais se moram ou atuam na mesma comunidade e frequentam no cotidiano basicamente os mesmos lugares públicos que ele (o jornalista) frequenta.

Fazer bom jornalismo no interior paulista – ou pelas curvas mata adentro de qualquer outro estado brasileiro – nunca foi e nunca será tarefa das mais tranquilas, só pra dizer o óbvio. Vale para qualquer profissão que necessite do enfrentamento de ideias para ser eficiente e útil para o conjunto da sociedade.

No caso de um jornal, para quem tem o hábito de pagar para receber um conjunto de informações que lhe interessa. No meio disso tudo, a sedutora Política, arte que a maioria de nós não domina e – poucos de nós – aprecia, o que é uma pena. A Política sempre foi a Editoria mais forte de qualquer jornal que se preze.

No momento em que os três principais grupos políticos em torno dos quais giram todos os interesses da região de Botucatu começam a se preparar para mais um embate eleitoral, que vai acontecer em meio a uma grande desconfiança, é preciso saber o que pensam cada um dos três homens que lideram os exércitos da política eleitoral partidária.

Praticamente nada de importante aconteceu – em Botucatu e na região – nos últimos 25 anos, que não tivesse a participação direta destes três grupos. São eles que podem comprovar ou não que a política local e regional não possui os mesmos vícios e hábitos dos colegas de partido que estão sendo arrastados um a um para os tribunais.

O do PSDB e suas legendas acopladas: hoje liderado pelo ex-prefeito João Cury Neto.

O do PT-PDT e seus partidos auxiliares: no Poder, liderado pelo ex-prefeito Mário Ielo.

E o do PR, do deputado federal Milton Monti: há 20 anos embaixador lá em Brasília (DF).

Os três são homens com prestígio junto a cúpula dos partidos políticos que representam. Os três são políticos profissionais: disputam toda eleição como se fosse a primeira. Os três são a nossa matéria prima local em tempos de lavagem de roupa suja na política brasileira.

É exatamente pra os três que toda a região está olhando com atenção neste momento. Sem pré-julgamentos, é claro, mas em busca de uma compreensão do que realmente significam como postura republicana dentro do tabuleiro da política nesse pedaço bonito do interior paulista: a ponta do quadrilátero com maior desenvolvimento humano no mapa do Brasil.

Uma região que poderia escapar ilesa do maior escândalo de corrupção da nossa história, pra não ter que renovar às pressas – e sem tempo de preparação adequada – as peças do tabuleiro que define, quem vai e quem não vai, ter lugar cativo na festa da democracia daqui pra frente.

Pelos sinais de fumaça que se viu até agora, a nossa bela Cuesta vai tremer. Precisa ver só em que direção o vento vai soprar primeiro. Mas que a previsão é de vendaval forte, sujeito a raios e trovoadas, parece que já está escrito. Quem viver, verá.

 Respira fundo,

leitor amigo.