BOLSONARO JÁ SABE QUEM VOTA NELE.

E também quem não vota de jeito nenhum...

Reprodução

SEM PECADOS
“Não me arrependo de nada. Nós evoluímos, nos aperfeiçoamos e buscamos o consenso. É isso que eu venho fazendo.”

As últimas entrevistas do deputado federal Jair Bolsonaro (sem partido), pré-candidato a presidente da República, mostram que ele assume exatamente o papel de catalisador do eleitorado mais afável à direita ideológica, mais suscetível ao discurso que fala da vida real de qualquer família brasileira adepta da cultura “olho por olho dente por dente”.

O problema – para os adversários – é que Bolsonaro tem fãs entre os simpatizantes de todos os tradicionais partidos políticos. É como se fosse, ou pudesse ser, a qualquer momento, bem maior do que já é – bem maior do que já foi – e bem maior do que imaginavam que pudesse ser um dia, quando o nome do candidato com cara de soldadinho de chumbo começou a circular como uma possibilidade eleitoral no mercado nacional de votos na urna eletrônica.

Ele é a segunda ou terceira opção de voto do eleitor Alckmin, de Lula e até de alguns que chacoalham a bandeira de Marina Silva, que estariam, em tese, distantes do perfil ideológico, mas que possuem um eleitorado volúvel, inseguro, que a firmeza das palavras do homem que veste verde-farda são capazes de seduzir bem facilmente.

Bolsonaro nem escolheu ainda sua cor partidária, mas tem eleitor conservador de carteirinha dos partidos tradicionais dizendo de boca cheia que vai votar nele. Em qualquer boteco, qualquer igreja, qualquer universidade e qualquer grupinho de zapzap onde o assunto são as Eleições Presidenciais de 2018, ele está conseguindo representar um sentimento forte de “mudança” em cerca de um terço dos eleitores brasileiros.

Pelo menos é o que mostram as confiáveis pesquisas de opinião apresentadas até o momento. Bolsonaro deve sair forte do Rio de Janeiro – há até aqueles que defendem que ele poderia primeiro ser candidato a governador do sucateado estado que ele próprio representa, seria um vôo mais fácil. Mas ele decidiu que vai pular as etapas.

A convicção dele parece ser mesmo a de que o cavalo está passando arriado na sua frente, como se diz aqui no interior paulista. Se não montar, perde a oportunidade de ser Presidente do Brasil. Porque em 2022, os temas podem ser outros, diferentes daqueles que fazem com que seu discurso curto, grosso, repleto de frases feitas e sem muitas explicações encaixar tão forte neste Brasil que clama por mudança.

Mas isso não significa que a bolha do ex-capitão do exército brasileiro não pode murchar antes mesmo da campanha eleitoral começar. E nem que não pode inflar ainda mais, virando um tormento na cabeça dos marqueteiros de seus adversários diretos.

Bolsonaro representa o imponderável, o que não tem explicação lógica, talvez só encontremos na matemática ou na antropologia uma explicação para a força que seu nome demonstra ter nestes primeiros passos da corrida presidencial de 2018.

Reprodução
1 – BOLSONARO…
… e as feras do Programa Canal Livre, da TV Bandeirantes, neste domingo (19):
“Eu sou diferente de todos os pré-candidatos que estão por aí. Não tenho nem partido ainda. E segundo algumas pesquisas, como Paraná Pesquisas, estou com 21% (de intenção de votos). Eu devo ser uma pessoa que tenho de ser analisado o que me fez chegar a esse momento de certa projeção nacional e digo mais. Quem declara voto a mim dificilmente muda. Então em não havendo fraude, com toda certeza eu estarei no segundo turno”
Detalhe: Os jornalistas Fábio Pannunzio, Fernando Mitre, Mônica Bérgamo, Júlia Duailibi e Sérgio Amaral, bem que tentaram, mas não conseguiram arrancar nem o cheiro do perfume do “sabonete” Jair Bolsonaro: ele escorrega o tempo todo, não dá pra segurar um tema para aprofundar um pouco mais.

 

Reprodução
2 – O CAPITÃO…
… de frente com a suavidade de Mariana Godoy, na Rede TV, no dia 27 de outubro.
“Dos cinco presidente militares, qual deles era formado em economia?! Nenhum. E trouxeram o Brasil da 49ª (posição) para a oitava economia do mundo”
Detalhe: A bela apresentadora deixou Bolsonaro falar, completar o raciocínio, mostrar o que pensa do jeito que compreende e que lhe garante a sintonia com o eleitor que acredita que ele pode ser o cara que vai colocar o Brasil em “ordem”.


Tenha um bom dia.

Independente se você acha que Bolsonaro pode ou não pode ser uma alternativa para o eleitor que pensa como ele. Até porque, de nada adianta achar alguma coisa. O Brasil pode estar, neste momento, em busca de alguma certeza.