ALCKMIN FALA EM UNIDADE, MAS DEIXA CLARO QUE O PSDB PODE “RACHAR”…

Divulgação
Pedro Tobias, o deputado estadual de Bauru (SP), puxa o berro Geraldo Presidente,
sob o olhar perdido de José Serra no horizonte da Convenção que mostrou um PSDB
paulista disposto a encarar seus monstros e demônios internos de uma vez só

O governador de SP Geraldo Alckmin disse neste domingo (12), na Convenção Estadual do PSDB-SP, que aprendeu em sua trajetória que “partidos se fazem com bandeiras e propostas, mas também são feitos pelas mãos que empunham essas bandeiras”.

Foi seu gesto claro para a militância tucana da capital e do interior que lotou o plenário da Assembleia Legislativa e não teve qualquer constrangimento em cobrar seus líderes olhando no olho de cada um durante o evento, que lotou o plenário e os corredores da Assembleia Legislativa de SP.

O alvo principal foram os tucanos paulistas aliados do Governo Temer que junto com Aécio Neves e a turma de Minas Gerais, mantém o bico preso quando o assunto são as denúncias de corrupção que abalaram a República.

A intenção de Alckmin, ao deixar claro que admite a possibilidade de “rachar”ficou clara quando o governador relembrou em seu discurso a formação do PSDB, em 1988. O momento em que Covas, Montoro, FHC e seus milhares de seguidores e correligionários deixaram o PMDB para trás, em busca de um novo horizonte político, que se tornou uma trajetória vitoriosa em SP e no Brasil.

Entre os jovens parlamentares que saíram do PSDB, estava o próprio governador paulista, que na época era um jovem deputado federal de Pindamonhangaba (SP), bem mais magro que hoje, mas já respeitado por sua postura no parlamento, talvez por isso tenha sido escolhido por Mário Covas como sucessor político no comando do estado.

“Foi preciso coragem, muitos não se reelegeram, perderam suas bases. Corremos todos os riscos para fundar um novo partido”, disse Alckmin, lembrando aquele momento que representou uma escolha, que pode acabar se repetindo 30 anos depois.

E o governador completou, indagando em alto e bom som, diante das principais lideranças do partido – entre eles o presidente nacional do PSDB, o ex-vice-governador Alberto Goldman, que foi alçado ao cargo que era ocupado pelo Senador Tasso Jereissatti (ex-governador do Ceará) numa manobra de Aécio Neves.

“Para que precisamos estar unidos?”, para responder de bate pronto: “Para mudar o Brasil! É… Essa deve ser a nossa bandeira… Essa é a ordem de coragem do PSDB… Precisamos voltar às nossas origens… à razão de ser do PSDB. Vamos correr todos os riscos!”, afirmou.

“É hora de aventurar, de ir ao encontro do povo”, concluiu, diante do semblante contido e abatido do senador José Serra, que estava ao seu lado (e lidera parte do grupo tucano aliado a Michel Temer), e dos berros puxando o coro de Geraldo Presidente, do deputado Pedro Tobias, aqui de Bauru (SP), que mostrou que não estava falando sozinho, quando disse pela manhã, em entrevista coletiva, que o senador Aécio Neves deveria “colocar o pijama (se aposentar da atividade política) e voltar pra casa”.

 

Arquivo

O “TURCO” DE BAURU (SP) QUE BERROU O “TCHAU QUERIDO” PARA AÉCIO NEVES

“Para mim a entrada do PSDB no governo Temer foi errada e vai sair tarde demais. O estrago feito a nós é grande demais. Aécio não está ajudando em nada. Deveria colocar o pijama e voltar para a casa dele”.

Deputado Estadual Pedro Tobias (PSDB), de Bauru (SP), presidente reeleito do Diretório Estadual do PSDB-SP.

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