A matemática da história de uma eleição

A TURMA QUE DETESTA POLÍTICA.Divulgação

Em Botucatu, o projeto político liderado pelo prefeito João Cury (PSDB), emplacou nas urnas o futuro prefeito da cidade, engenheiro Mário Pardini, garantindo ao seu grupo político mais quatro anos no comando da prefeitura da cidade. De quebra, os partidos que apoiaram a candidatura tucana ainda elegeram 9, dos 11 vereadores botucatuenses.

Em São Paulo, o governador Geraldo Alckmin mostrou prestígio na capital, elegendo seu candidato João Dória Júnior, também no primeiro turno, depois de enfrentar uma grave crise interna no ninho tucano, com os grupos do ministro José Serra e do ex-governador Alberto Goldman partindo para os ataques públicos ao seu candidato na reta final da campanha.

No Brasil, o PMDB do presidente Michel Temer foi o partido que mais elegeu prefeitos, 1.029 no total até agora, restando ainda algumas possibilidades em cidades onde haverá segundo turno, seguido pelo PSDB (793) e o PSD do ex-prefeito paulistano Gilberto Kassab (539 prefeitos eleitos).  Estes três partidos cresceram em relação ao número de eleitos em 2012.

O grande derrotado das urnas municipais foi mesmo o Partido dos Trabalhadores (PT), que perdeu 60% do número total de municípios que governava, elegendo apenas 256 prefeitos em todo o país nas eleições de 2016. Os escândalos abalaram o PT, mas não fizeram nem cócegas no PMDB, seu principal partido cúmplice, que terminou esta eleição com 12 prefeitos a mais do que tinha em 2012.

No novo mapa político do país, a partir de 2017 o PMDB governará cerca de 25 milhões de pessoas, o PSDB pouco mais de 37 milhões (venceu nas maiores cidades) e o PSD 12,4 milhões. Para o PT restaram pouco mais de 6 milhões de brasileiros nas cidades que vai comandar. Em relação ao orçamento que vão comandar, o PSDB terá 117 milhões, o PMDB 60 milhões e o PSD 28 milhões nas cidades em que elegeram prefeitos.

Após perder cerca de 400 prefeituras numa cajadada só, o partido do ex-presidente Lula vai precisar encontrar novas lideranças e um novo caminho. Geraldo Alckmin, praticamente carimbou o passaporte para as eleições presidenciais de 2016. Michel Temer ganhou um fôlego e talvez conseguir terminar seu mandato com menos turbulência política. Mas ainda é cedo pra ter certeza.

Na região, o prefeito de Botucatu João Cury Neto foi vitorioso em seu duelo pessoal com o deputado federal Milton Monti (PR). Venceu em Botucatu e também em São Manuel, cidade hoje governada por Marcos Monti, irmão do deputado, que era candidato à reeleição. De quebra, ainda levou Pratânia, cidade que nos últimos 20 anos foi governada 16 anos por aliados de Milton Monti.

O prefeito eleito de São Manuel é Ricardo Salaro (PPS), que até abril deste ano era secretário municipal na prefeitura de Botucatu. O de Pratânia, Davi Pires (PPS), que se elegeu com quase 70% dos votos da cidade, que antes de ser emancipada era distrito de São Manuel. O PPS é comandado na região pelo irmão do prefeito botucatuense, deputado estadual Fernando Cury, que cumpre seu primeiro mandato na Assembleia Legislativa de SP.

Agora é a hora de imaginar o que muda daqui pra frente, na região de Botucatu, em São Paulo e no Brasil. Ainda é muito cedo para ter certeza, mas provavelmente nas eleições de 2018, Miltinho e João Cury devem se enfrentar buscando uma vaga na Câmara Federal, se um deles não conseguir um espaço mais nobre. Geraldo Alckmin e o PSDB tem o desafio de escolher um sucessor para o governo de São Paulo. E Temer, bom… Temer vai fazer o que Sarney, Jucá, Renan e outros caciques peemedebistas decidirem. É o time em que ele joga. Um time que não larga o osso de jeito nenhum. #COMTODASASLETRAS

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