Os profissionais das fábricas do futuro

Redação Diário | Diário Botucatu

O modo que produzimos nossos bens de consumo tem experimentado mudanças significativas ao longo da história. As tecnologias atuais possibilitam produzir de maneira mais enxuta e flexível, aumentando a produtividade, empregando mais robôs e menos pessoas nos processos de produção. Bem-vindo as fábricas do futuro! Elas prometem trabalhar no conceito de Indústria 4.0, também conhecida como a Quarta Revolução Industrial. Esse conceito nasceu em 2012 na Alemanha em parceria entre a iniciativa privada e o governo alemão, sendo marcada pela convergência de tecnologias digitais, físicas e biológicas.

 

A Primeira Revolução Industrial foi iniciada em meados do ano de 1700 com uso de tear e o motor a vapor. A Segunda Revolução apresenta o uso da eletricidade e a linha de produção seriada que revolucionaram os meios de produção. A Terceira, está ligada automação Industrial, e principalmente a Internet e os Controladores Programáveis (CLP), possibilitando grandes avanços no controle e gerenciamento dos processos. A indústria 4.0 promete operar nos pilares teológicos desenvolvidos ao longo da história: Internet das coisas, computação em nuvem e principalmente os sistemas cyber físicos, que são interfaces entre o homem e as máquinas.

 

Nas fábricas do futuro, a partir de informações em tempo real, todas as decisões no chão de fábrica serão tomadas pelas próprias máquinas, que por sua vez, estão interconectadas, conversam e trocam comandos entre si, armazenado dados na nuvem, identificam defeitos e fazem correção sem paradas agudas. Basicamente, toda informação é reunida em prol de uma integração dos processos desde o chão de fábrica até o consumidor final, fechando o ciclo inclusive da sustentabilidade, olhando pelo lado principalmente da redução de custos e a utilização responsável dos recursos naturais e energia.

 

O avanço da Indústria 4.0 no impacta de forma definitiva, não somente na cadeia de produção, mas especialmente nos modelos de negócio e no mercado de trabalho. Com a automatização de grande parte dos processos, muitos postos de trabalho tendem a desaparecer, sobretudo aqueles que exigem menor qualificação. Por outro lado, as transformações geram demandas em pesquisa e desenvolvimento, criando novas oportunidades para profissionais com capacidades técnicas e conhecimento da variedade de tecnologias que está em jogo neste novo cenário.

 

Cada vez mais a formação prática e multidisciplinar de engenheiros ligados as áreas da produção tem se apresentado como um diferencial para esse novo momento, não basta apenas uma formação técnica, é preciso ter senso de colaboração e trabalho em grupo. Nesse contexto um novo perfil profissional irá emergir, afinal, para trabalhar no chão de fábrica, será preciso desenvolver competências e principalmente uma visão multidisciplinar. Quem quiser conquistar um espaço nessas fábricas deverão desenvolver novas habilidades, será preciso trabalhar ao lado de robôs colaborativos, sempre visando aumentar a produtividade dos processos, gerando espaços para atuar em funções mais complexas e criativas. O profissional será responsável por toda uma linha de montagem e não mais por partes específicas do processo de produção. A integração e processamento de informações dos processos vão demandar profissionais que se comuniquem com outros países, daí a importância de falar outros idiomas, além de ter capacidade analítica o que permite ao profissional cruzar dados e tomar decisões a partir de informações fornecidas por máquinas em tempo real.

 

Na disputa entre o homem e a máquina por um lugar na cadeia produtiva e diante de um mercado que se torna cada vez mais competitivo e exigente, a formação é sem dúvida, uma das principais armas a favor do profissional.

 

Redação Diário | Diário Botucatu

Prof. Dr. Rodrigo Guarnetti

Coordenador do Curso de Engenharia de Produção da Faculdade Iteana de Botucatu (FAIB)

Doutor em Energia

Mestre em Engenharia de Produção

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