LINGUAGEM, IDENTIDADE E COMPETIVIDADE: INGREDIENTES ATEMPORAIS NO MUNDO EMPRESARIAL

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Os anos 70 apresentaram ao mundo uma nova linguagem. Em 1971, a Intel lançava o Intel 4004, o primeiro microprocessador do mundo; em 1976 foi fundada a Apple que traria as décadas seguintes uma nova roupagem ao mundo corporativo e, no final da década de 70, a televisão a cores se tornaria mais popular.

Acontece no Brasil o chamado “milagre econômico” que possibilitou a internacionalização da economia brasileira e, como resultado, edifica-se um contexto econômico muito competitivo. Participar desse mercado e emancipar-se nele exigia ações que fossem pontuais. Assim, uma das estratégias utilizadas mundialmente foi transpor informações de maneira mais objetiva, buscando além da qualidade a fidelização da clientela.

As redações empresarias cotidianas passaram a primar pela clareza na forma de expor as ideias e, acima de tudo, evitarem a duplicidade de sentidos que geravam perdas que assolavam desde a não sagração das vendas até quebras de equipe.

A clareza na expressão escrita minimizava o retrabalho e diminuía o hiato entre fatos corporativos e ações. Dessa forma, um texto mal escrito poderia gerar a desmotivação para a leitura; privilegiaria a troca oral de informações que ocasionaria a subjetividade nas interpretações de fatos e, ainda, abriria um caminho à informalidade e à falta de registro comprobatório culminando com a falta de credibilidade, que geraria conflitos internos frequentes e assim traduziria a ineficácia para os negócios.

Mas o que mudou desde a década de 70 para os dias atuais? O avanço tecnológico se acentuou e, com isso, a linguagem empresarial passou a ser não só um meio para efetivar informações, ela se tornou a identidade da empresa. Ou seja, a forma como uma empresa se comunica com seus clientes, parceiros, com a concorrência ou com as mídias revela muita coisa sobre a sua conduta corporativa, o teor de seu trabalho e a forma como enxerga o mercado e o cliente.

A linguagem clara, objetiva, concisa e com correção gramatical são características textuais que assumem hoje a responsabilidade de fazer um marketing discreto, sorrateiro que, de maneira quase imperceptível, labora no quesito credibilidade no mercado, sustentando a ideia de seriedade, efetividade de serviços e, enfim, de transparência. Se “a primeira impressão é a que fica”, o texto escrito, ou melhor, a escrita de uma empresa se torna, no universo da comunicação, o cartão de visita corporativo.

A adaptação às novas formas de linguagem trouxe à escrita empresarial novos e grandes desafios. Como usar uma linguagem que atenda aos mais diversos consumidores? Como atender aos clientes sem perder a essência da linguagem-imagem da empresa?

Mais do que em décadas passadas, o texto conciso e objetivo, que usa uma linguagem simples, porém com correção gramatical; que evita rebuscamentos e é pontual naquilo que pretende transmitir é o segredo para se comunicar numa sociedade tão eclética e exigente.

Assim, há de se cuidar para evitar exageros e descompassos. Buscar a proximidade corporativa sem se fazer confundir profissionalismo com pessoalidade; modernizar sem conduzir um texto ao estilo “produção em série” que fere o caráter de importância que deve ser dado ao outro. Há de se observar que, a palavra ainda é condimento essencial da humanidade e, mesmo em meio a tanta evolução tecnológica, com tantas facilidades da internet; se não houver pessoas, não existirão empresas.

Conclui-se então que, em tempos de mercado competitivo e de linguagens alternativas, para sobreviver na era da globalização, não é o bastante investir somente em tecnologia e informatização; faz-se necessário saber que, dentro da sociedade humana, a linguagem capaz de fazer comunicação impera e possui valores bem definidos e, como afirma Miriam Gold em seu livro Redação Empresarial, “impulsionam a fidedignidade das mensagens e a agilidade das decisões, molas da sobrevivência e do lucro”. Assim, pode-se afirmar que uma mensagem bem construída é capaz de mover montanhas, fechar negócios e produzir identidade; afinal no mercado competitivo aquele que se faz entender, faz-se crescer.

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Audrey do Nascimento Sabbatini Martins é formada em Letras pela Universidade do Sagrado Coração e mestre em Comunicação Midiática pela Universidade de Marília. Atua como professora no Centro Universitário de Bauru – ITE e na Faculdade Iteana de Botucatu e no Ensino Fundamental II e Médio, na cidade de Duartina (SP), na Escola Estadual Benedito Gebara e na Sociedade Educativa Equilíbrio – Objetivo.E-mail: aysabbatini@msn.com